Rê Bordosa é Aline Dorel?

Já faz mais de um mês isso, mas como minha zuper especial seção de entrevistas ainda não está pronta, mando aqui trechos exclusivos (never published before) da entrevista que fiz com Angeli lá em Porto de Galinhas. E essa é especial para quem já assistiu (ao vivo ou em DVD) o Terça Insana em ação.
ZUPER - Teu humor me lembra muito o humor caótico do pessoal do Terça Insana, você conhece alguém do grupo e já viu o espetáculo?
ANGELI - Nunca vi o espetáculo, mas conheço várias pessoas. A Grace Gianoukas mora no mesmo prédio que eu, a gente tá sempre se cruzando. E a Grace sempre quis fazer a Rê Bordosa, já tentou articular a produção pra montar a Rê Bordosa, e não deu certo. Ela é a pessoa exata pro papel. Tanto que faz um personagem (Aline Dorel) que eu acho que é inspirado na Rê Bordosa.
ZUPER - É a que sempre toma os três Lexotans e tudo e tal?
ANGELI - É, isso mesmo. Pra mim, ela é a Rê Bordosa. E a Grace começou a atuar em São Paulo quando, acho, a Rê Bordosa já tinha até morrido. Bom, a Rê Bordosa até já foi montada por uma atriz mediana, chata e virou uma porcaria.
ZUPER - Como surgiu a tirinha Angeli em Crise?
ANGELI - O que aconteceu foi o seguinte. Fiz um personagem que se chamava pocket-book, era um escritor e as idéias dele cabiam no bolso. Só que ele não deu certo, fiz uma, duas, três, na quarta tira percebi que o personagem não vingou. Então, pela primeira vez, coloquei o autor entrando na tira e falando “acabou, não tem mais, não deu certo”. Aí percebi que essa interferência do autor poderia dar um personagem. E isso foi evoluindo até virar Angeli em crise. A primeira tira que eu coloquei o título Angeli em crise, recebi uma carta de um casal dizendo assim: “ô cara, fica assim não”. Só que aquilo era uma piada. Achei então que era legal mexer mais com o personagem, e mostrar sua relação com a mulher, com ex-mulher, com filhos, com a música. E agora ele não é mais um retrato do autor, ele é um personagem com coisas que o autor não tem. E sempre acho que quando faço Angeli em crise, ele surge pra preencher um espaço porque eu não tive uma grande idéia naquele dia. Só que a resposta que ele do público é muito boa. Na minha visão, todo mundo vai esquecer no dia seguinte as tiras do Angeli em crise, e não esquecem. As pessoas comentam: "pô, adoro quando você se coloca como um rabugento". Eu já contei coisas minhas assim, é lógico que contando com o exagero da piada, taras, problemas existenciais. Mas não gosto de abusar desse personagem. Pode começar a parecer que eu sou uma pessoa egocêntrica demais, e aí faço pingados do Angeli em crise.
Bem, isso foi um petisco diante da entrevista inteira. Mas se você quer ver a maior parte das perguntas e respostas, dá uma olhada no JC do dia 10 de outubro, quando foi publicada a conversa. Isso, claro, se você for assinante do Jornal do Commercio ou do Uol.










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Posted by: Evan | fevereiro 27, 2006 09:44 PM