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Não são os cartuns

Deus castiga aqueles que voltam seus olhos contra ele, quaisquer que sejam seus nomes, suas línguas e seus ‘Deus’. Mas nenhuma punição divina deve ser maior do que aquela construída pelo próprio homem, em nome de seu mais distinto atributo: a diferença entre ele e o outro. É em nome da diferença que, durante os últimos dias, o mundo explodiu novamente em raiva graças dessa vez a alguns desenhos, cartuns publicados em um jornal dinamarquês. Os cartuns exibiam imagens que satirizavam a religião islâmica, em vários aspectos, sob vários ângulos.

Para resumir os eventos que aconteceram na última semana em função desses cartuns: quatro pessoas morreram no Afeganistão, embaixadas foram queimadas na Síria e no Líbano, um padre católico pode ter sido morto na Turquia em função disso, um editor de um jornal da Jordânia, Jihad Momani, foi demitido porque republicou os cartuns, protestos correram por toda a Europa, particularmente na França e, agora a notícia que chega é que irão fazer um concurso entre os muçulmanos para ver quem faz a ‘melhor’ charge sobre o massacre dos seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial.

E os debates que surgem agora parecem se resumir à liberdade de imprensa versus o respeito pelas religiões. Mas nada disso se trata de um ou dez cartuns. Não se trata de poder ou não publicar um desenho. Poder, aliás, é um substantivo-verbo que provoca, ele mesmo, a asfixia de nada mais poder. Mas liberdade de imprensa não é o foco neste caso.

O foco é como, a partir de desenhos e, portanto, da utilização de símbolos visuais, o mundo começa a se queimar pelas beiras de um grande e imenso papel de versos mal-escritos, linhas tortas caligrafadas não por Deus, mas pelos homens que criaram políticas de tolerância. A tolerância, como o nome indica, não compartilha e não se vê unívoca. Ela tolera, divide e, assim, distingue o bom do mau, o muçulmano do judeu, o negro do branco, o oriente do ocidente e a lista, infelizmente, não tem fim.

O embate entre imprensa e religiões é uma ponta de um iceberg que parece cada vez mais próximo de bater de frente com a proa desse enorme Titanic que é o mundo, dividido em vários compartimentos: cabine dos comandantes, primeira classe, segunda classe, terceira classe e, por fim, a turma do quarto das máquinas, que abastecem de combustível a navegação dos homens.

Para ver os cartuns em questão, acesse aqui. Para ler mais sobre o assunto (em inglês), sugiro uma olhada no Comics Reporter.

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imagine se eles vissem algo parecido com o que fizeram com Jesus em South Park.

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