Lost Girls - Making of
Pedi ontem que Leandro Luigi del Manto, editor da Devir, falasse um pouco sobre a experiência de editar um trabalho do porte de Lost Girls e, portanto, da "grife" Alan Moore. O primeiro volume dos três que chegam aqui ao Brasil deve ser lançado ainda este mês nas livrarias. De forma que, para você que tem fascinação ou por Alan Moore ou por histórias pra lá de eróticas, aí vão duas opções: ou costura o bolso até o livro chegar nas prateleiras, ou se joga sem medo no cheque especial. Sem mais delongas, eis as palavras de quem foi atrás e acompanhou toda a saga de publicação da obra:
A edição de LOST GIRLS, assim como qualquer outra escrita pelo Alan Moore, é um capítulo à parte... Primeiro, entrei em contato com a Top Shelf Productions quando foi divulgado pela imprensa que a editora iria lançar os próximos volumes de "A Liga Extraordinária". Chris Staros, o publisher da Top Shelf, me explicou que teria o maior prazer em negociar com o Brasil, mas, até aquele momento, não havia a menor idéia de quando seria lançado o material inédito da "Liga"... Por outro lado, ele me revelou que deveria lançar em breve um outro material do autor chamado "Lost Girls"... Eu já ouvira falar sobre a obra, mas me lembro que alguns números haviam sido lançados muito tempo atrás... Daí, caiu a ficha: me lembrei que se tratava de uma abordagem adulto/erótica das três "garotinhas" dos livros infantis. Finalmente haviam terminado a série! Conversei com meus diretores na Devir e começou minha peregrinação para "vender" a obra internamente na editora. Nossa preocupação maior não foi em relação ao conteúdo sexual da obra em si, mas em conseguirmos adaptar a obra para o nosso mercado com a mesma qualidade da original. É claro que tivemos que fazer algumas mudanças editoriais para a nossa versão. A primeira delas foi dividir a obra para que fosse vendida em três volumes separadamente, uma vez que um box com a série toda ficaria totalmente fora dos padrões do nosso mercado. A segunda foi criar uma sobrecapa que não mostrasse nenhum conteúdo explícito na contracapa. A terceira foi preservar o conteúdo explícito na própria capa dura (a edição original traz uma capa dura de tecido apenas com o logotipo em hot stamp dourado), que será colorida e terá os logotipos em dourado. A quarta foi lacrar cada livro para que o mesmo não possa ser manuseado por algum cliente desavisado... São detalhes técnicos, mas necessários para que o conteúdo da obra não chocasse ninguém que possa se sentir ofendido ou que seja menor de idade. Fora isso, a obra deu o trabalho normal de qualquer outra assinada por Moore, mas vale citar o trabalho meticuloso do tradutor Marquito Maia, que teve de se desdobrar para pesquisar termos, citações etc para que a nossa versão ficasse o mais fiel possível da edição original. Particularmente, está sendo uma honra poder trabalhar com LOST GIRLS, pois é um dos quadrinhos mais bonitos com que já trabalhei, não só pela delicadeza e genialidade do autor em explorar personagens femininas tão presentes e importantes na infância de qualquer um, mas pela arte espetacular de Melinda Gebbie, que trouxe um status realmente artístico a cada página da história. É isso!









