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Momento 1: Capitão América vintage agora também no guarda-roupa do seu cachorro!

Momento 2: Pra que bola de lã se você pode ter um Nitendo DS?

O Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco está quase virando uma sede das Nações Unidas: até agora (e as inscrições terminam neste próximo sábado), mais de 20 países mandaram trabalhos para o salão do evento (a variedade nunca havia sido tão grande). Alguns deles: Turquia, Sudão, Tailândia, Bulgária, além dos mais comuns como Estados Unidos, França, Espanha e Irlanda do Norte. Até hoje, já são mais de 300 inscrições para a exposição.
O FIHQ começa no próximo dia 16. O regulamento para inscrever seu trabalho e outras informações estão disponíveis no site da Acape.
Ah, e o prêmio é de R$ 6 mil para cada uma das cinco categorias: cartum, caricatura, quadrinhos, ilustração editorial e charge.
Tem lançamento esta semana da editora com um dos nomes mais fofos do mercado: a Livrinho de Papel Finíssimo:
Eis as novas publicações:
ZI.PE - [ formato A5, P&B, 20 páginas, 6 autores ] > Revista coletânea dos quadrinistas da Associação dos Cartunistas de Penambuco (Acape), pra nova turma que aposta nos quadrinhos locais e autorais!
COLEÇÂO OLHOdeBOLSO: [ formato A6, P&B, 32 páginas ] > é a coleção especial de 12 números da Livrinho, lançando autores gráficos das mais diversas linguagens.
NÚMERO 1 - Laerte Silvino > Cartunizando as palavras do Filósofo chinês Confúncio, Laerte faz uma obra profunda em sua simplicidade, na linguagem do cartum limpo e certeiro em suas sugestões!
NÚMERO 2 - Serjão > O grafiteiro Serjão faz um apanhado de sua arte de rua, como uma forma do leitor adentrar no seu mundo gráfico, também chamado de Jaboreia. Livre, solto, leve, em contraste com a rudeza das ruas do Recife.
A festa de lançamento acontece no próximo sábado com as bandas Decadence e Subversivos. No Iraq, 179, Rua do Sossego, Boa Vista, a partir das 22h

Os piratas vão invadir sua marginal
Publicado em 27.08.2007 - Jornal do Commercio
Nem todos os paulistanos são verdadeiramente paulistanos. O “verdadeiramente” dá conta de atributos como uma predisposição ao caos e um senso de humor que, embora seja aparentemente reservado, pode ser tão letal quanto o corte de uma lâmina de papel. Laerte é um paulistano que, como os verdadeiramente paulistanos, adoram falar de São Paulo e, principalmente, despir a cidade inteira de seus clichês para depois amá-la em seus clichês.
Tendo isto dito, Laerte está de volta às livrarias. Com os personagens mais paulistanos de toda sua carreira: os Piratas do Tietê. A saga completa desses marujos da poluição começou a ser publicada agora pela editora Devir, em três volumes.
O primeiro dos três acaba de chegar às livrarias por R$ 52 e reúne desenhos maravilhosos em sete histórias fantásticas. Muitas falam das origens dos piratas no Tietê, em um retrospecto que passa por momentos da história do País e, claro, das pequenas lendas urbanas – por vezes nem tão lendas assim – da cidade de São Paulo.
Em um de seus mais inspirados momentos, vemos o autor brincar de “Transformers” com o navio dos piratas (em Tesouros do Japão), e viajar longe (em uma lombra que só consegue ser controlada na habilidade extraordinária do artista) com a história do jacaré encontrado nas margens do Tietê. Antes de cada HQ dessas, um pequeno parágrafo escrito pelo próprio autor descreve os bastidores do roteiro – algo raro quando se trata de quadrinhos.
O primeiro volume dessa coleção traz ainda o ótimo texto biográfico de Laerte, escrito pelo jornalista Marcelo Alencar, que se mostra uma pessoa atenta às pequenas evidências de comportamento e pensamento do artista. Coisas como a fixação do cartunista em cabelos grandes (ou, em alguns momentos de equívocos estéticos, bigodes enormes), uma citação ao episódio em que ele foi preso no campus da ECA-USP completamente pelado, ou ainda o fato de ele usar chinelos de dedos em casa.
O álbum, de capa dura, traz ainda esboços inéditos de uma animação com os Piratas que ainda não foi finalizada. Nesse pacote de “presentes exclusivos” da editora, tem ainda o texto integral da peça “Piratas do Tietê, o filme”, que sai no volume 2 da coleção, e um pôster colorido que será lançado no volume 3.
Em tempo: para quem adora Laerte e seus Piratas do Tietê, os personagens também foram publicados no ano passado em dois volumes do tipo pocket book pela editora L&PM.
Acabei de receber isso aqui:
Já estão abertas as inscrições para o 1º Concurso de Quadrinhos Péricles Maranhão, aberto para artistas de todo o Brasil, desde que seus trabalhos estejam em língua portuguesa. O concurso irá selecionar 20 trabalhos inéditos que serão publicadas na Coletânea de Quadrinhos Péricles Maranhão, com tiragem de 2 mil exemplares. O concurso é uma iniciativa da Fundação de Cultura Cidade do Recife - FCCR, em parceria com a Associação dos Cartunistas de Pernambuco (ACAPE) e Centro de Design do Recife. As inscrições podem ser feitas até o dia 05 de outubro e o regulamento está disponível no site da acape.

É isso mesmo, este é mais um agregado do mundo iPod. Musiquinhas no travesseiro. O que falta agora? iShower? iSofa? iDinnerTable? Quem dá mais?
O Coquetel Molotov anuncia que a abertura das inscrições para a II Plataforma Integrada de Encontros Musicais dentro do festival No Ar Coquetel Molotov. Para participar dos debates, os interessados devem preencher ficha de inscrição disponível no site do festival até o dia 5 de setembro. As inscrições são gratuitas, mas as vagas são limitadas. Quer saber quais são os debates?
Como a Internet tem projetado artistas e criado fenômenos internacionais
Debatedores: Bruno Ramos - Slag Records e Dagoberto Donato - Trama Virtual
O papel da imprensa na legitimação e reconhecimento da música nacional
Debatedores: Lucio Ribeiro - Popload e Prof. Felipe Trotta - UFPE;
A literatura marginal e seus efeitos de ação política nas midias alternativas
Debatedores: Carol Leão, André Telles e Camilo Maia e
A periferia no centro do processo de desenvolvimento cultural-urbano
Debatedores: Canibal - Devotos, Prof. Fernando Fontanella - UNICAP e Rogério Costa - UFPE
A nova versão do Google Earth que está saindo hoje vem agora com um "bonus track" bem especial: o Google Sky. Isso mesmo, mapas do céu, suas estrelas, planetas, satélites...com imagens detalhadas de umas 100 milhões de estrelas e umas 200 milhões de galáxias. Conheço gente que vai pirar com isso! Enfim, eis o artigo sobre o novo "serviço" do Google no NY Times desta quarta, e o link pra você baixar a nova versão do Google Earth.

Zach Snyder, diretor de 300, deu entrevista ontem ao Wizard Universe sobre os preparativos para as filmagens de Watchmen, que já tem elenco e site pronto. Nada muito novo. Ele conversa sobre a parceria com Dave Gibbons, que está envolvido no projeto, a resposta dos fãs ao primeiro poster oficial - esse aí em cima, etc, etc..., mas vale a pena conferir a resposta dele quanto a ausência - claro - de Alan Moore no projeto:
I know you're going to be answering this question for the next six months to two years. I know Dave told Alan Moore he was going to be involved with the movie. As you move forward are you hoping that Alan will one day see it?
Yeah. That's what I said at Comic-Con too. I think my big thing is that we totally respect his wishes to not be involved in the movie, and I totally get that. I'm just going to try and not make any assumptions about how he feels about the movie because I think that's a danger and exactly what he doesn't want. I hope, like I say, that he does get a chance to see it one day. My thing is, and I think that this is an important part of it, that I'm not trying to replace the book. My hope is that more people will read the book because the movie comes out. Maybe it's like a giant ad for the book.
Uma adolescente de 19 anos se confessou culpada em corte nos Estados Unidos. O crime? Ter filmado 20 segundos de Transformers dentro da sala de cinema. De acordo com a Motion Picture Association of America, a indústria do cinema nos Estados Unidos perdeu no ano passado 18.2 bilhões de dólares (se eles de fato perderam isso tudo, alguém sabe quanto eles ganham???) com pirataria de filmes (ou seja, você filma o filme e o disponibiliza pela internet). A jovem teve que pagar 71 dólares de multa (mas a mesma Motion Picture etc etc fez questão de frisar que o crime pode levar a pessoa a ficar um ano atrás das grades).
Boing Boing posted something quite not surprising today: it says that Warner Bros. hired some MIB or something equivalent in design, to film audiences who were watching a screening of the film The Invasion, that one with Nicole Kidman and the new 007. Someone in Washington DC said he saw a man stood by the corner of the theatre turning his camera on and off, always focusing the audience, not the film. One reader posted a similar experience that happened while he was watching a Paramount production, Hot Rod. The message is clear: We will catch you Hooks!
Now, try Pirate Bay or Torrent Spy. Type The Invasion or Hot Rod. Score: Captain Hook: 10 x MIB: still nothing.

obs.: a peça, que está sendo chamada de iGrave, inclui músicas para o funeral...
O oitavo arco de histórias de Sandman
Publicado em 20.08.2007 - Jornal do Commercio
Neil Gaiman é um caso sério, ao som de um bolero. Ou de uma valsa, ou ainda de uma ópera gótica. Não importa, seja qual for a música ao fundo de suas histórias (e ele adora usar trilhas), Gaiman é difícil de se emoldurar. Seu trabalho, afinal de contas, foi um dos grandes responsáveis pela ruptura dos quadrinhos como um ambiente encerrado em uma negociação unilateral entre a imagem e a palavra. Ele está longe de ser o único ou primeiro autor a quebrar o discurso de tempo-espaço dos quadrinhos (vale lembrar aqui do sempre eterno Will Eisner), mas é certamente aquele que fez isso conversando com uma geração de jovens cansados de seus heróis.
Essa introdução serve apenas para sublinhar que o lançamento de mais uma saga de Gaiman em edição de luxo – em uma iniciativa da editora Conrad em reeditar todos os arcos de histórias de Sandman em papel cuchê e capa dura – merece todo o mérito de um lançamento de destaque. Depois de Prelúdios e noturnos, A casa de bonecas, Terra dos sonhos, Estação das brumas, Um jogo de você, Fábulas & reflexões e Vidas breves, chega a vez de Fim dos mundos surgir nas livrarias.
Três elementos essenciais para entender a preciosidade deste oitavo volume: o prefácio de Stephen King (você já começa em clima nebuloso), alguns desenhistas e, claro, a própria história de Gaiman. O prefácio de King fala pelo nome do autor. Os desenhos, bem, esses merecem um parágrafo à parte.
É possivelmente em Fim dos mundos (R$ 66) que vemos algumas das experiências gráficas mais ousadas da saga Sandman, particularmente na primeira história, ilustrada por Bryan Talbot e Mark Buckingham. Tem ainda Mike Allred que, na época, ainda assinava como Michael. Allred, para refrescar a memória, é autor de Red Rock 7, recém lançado no Brasil e da saga Madman. Ou seja, seu nome quer dizer: colorido, pop, divertido. Em Sandman isso funciona estranhamente bem.
Quanto ao roteiro, aqui temos de volta histórias que não necessariamente se cruzam. Algumas são de tirar o fôlego, como a primeira, mas é preciso reconhecer que este não é o melhor momento do Senhor dos Sonhos e sua família (nesse aspecto, o anterior Vidas breves, com Delírio a procura de Destruição, dá um banho).
Agora, para completar a saga Sandman, faltam só mais dois arcos de histórias a serem publicados nesse formato: Entes queridos e Despertar. Alguém aí está contando os dias?
Primeiras impressões de Simpsons, o filme:
1) Cinema sucks, bom mesmo é a Fox!
2) A turminha de Bambi faz uma participação muuuito especial no filme
3) Al Gore é tão cinco minutos atrás...votem Lisa para presidente!
4) We will always have Alasca!
Para aqueles que sempre acharam South Park a melhor embalagem da série de produtos politicamente incorretos made in USA, é preciso lembrar que os Simpsons estão aí desde 89. E não é brinquedo renovar a piada do bobo da corte durante quase duas décadas. Homer e sua família conseguiram e estão aí, bem treinados quando o assunto é o sorvete na testa da América.
Titanic, 2001: uma odisséia no espaço, Pulp fiction, Happy Feet e, claro, Uma verdade incoveniente, são apenas algumas das citações que lembro agora (todas hilárias, por sinal).
Melhores momentos: o tão anunciando "nu" de Bart e a "epifania" de Homer
Melhores participações especiais: Bambi e Tom Hanks
Melhor surpresa: os créditos finais: sim, você já sabe que tem ficar sentadinho esperando eles terminarem e, outra coisa, não aguarde apenas por cenas extras, preste atenção também aos nomes que vão subindo...ah, e tem Maggie...


Elegância e ironia em um desenho freudiano
Publicado em 13.08.2007 - Jornal do Commercio
Tempo livre é um luxo para poucos. Ralph Steadman faz parte dessa minoria. Depois de muitos anos no ramo dos cartuns políticos (publica desde 68), ele resolveu fugir para o interior da Inglaterra, onde ao lado de sua mulher Anna, vive hoje do vinho que fabrica e, claro, do vinho que bebe. São mais de 100 videiras abertas diante de sua janela. Acontece que Steadman, entre um parmesão e um tinto, sempre terá um carinho especial pela sua fiel companheira de guerra: a tinta preta.
Seus traços revelam mais do algumas taças extras poderiam denunciar: é ela, a tinta, a extremidade mais dinâmica do corpo desse artista, e pela maneira como ela se espalha pela página, entendemos se tratar aqui de um ser humano que, como o vinho, guarda complexidades que apenas um olhar (ou paladar) atento identifica. Mas é claro que para falar de Steadman ninguém precisa sair procurando seu perfil psíquico, afinal de contas, ele tem lá suas precauções com esse tipo de exposição. Prova maior disso está no livro do artista que é agora publicado no Brasil pela Ediouro: Sigmund Freud (R$ 54,90).
Em um tipo de biografia didática de Freud e da psicanálise por ele fundamentada, Steadman brinca com seu personagem, ora revelando curiosidades triviais do processo genial do pensamento freudiano, ora se aproveitando dos conceitos analíticos para narrar a história de quem as pensou. Steadman explica as diferenças entre os vários chistes trabalhados por Freud, bem como as diferentes relações que ele tinha com as pessoas próximas e, claro, com alguns pacientes. Para quem quer entender um pouco mais sobre o assunto, fantástico.
Agora, para aqueles que adoram degustar uma boa imagem, aí não tem para ninguém. Steadman desenha com elegância e improviso, com velocidade e paciência e, sobretudo, com senso de humor. Afinal de contas, para colocar Freud em ilustração é preciso saber tirar da teoria a ironia intrínseca a todo processo de auto-análise (porque, no fim das contas, toda obra é resultado de uma conversa particular entre o autor e suas idéias). O traço é às vezes bem delicado, cuidadoso em cada linha e, no mesmo desenho, adquire em alguns espaços um momento rude, meio rascunhado. São ilustrações que carregam as mesmas variações de temperamento e humor de qualquer pessoa normal... ou de qualquer bom vinho.

A poesia dos monstros internos
Publicado em 11.08.2007 - Jornal do Commercio
Epiléptico, de David B., é uma obra-prima das artes gráficas, álbum que refaz a trajetória de uma família que, junta, sobrevive a uma doença
Carol Almeida
calmeida@jc.com.br
As palavras não costumam chegar até onde vão as imagens, assim como as imagens dificilmente alcançam até onde chega a imaginação. Quando algum desses fenômenos acontece, dá-se o nome de talento, um estágio bem próximo ao que conhecemos como arte. Afinal de contas, a arte em si só aparece quando o já citado talento consegue se manifestar a partir de um pensamento crítico, da reflexão e, mais importante que todo o resto, de uma consciência do homem diante dele mesmo. O francês David B. conhece todas essas etapas intuitivamente. Como poucos quadrinistas, ele conseguiu levar as palavras até as imagens e as imagens até a porta de sua memória pessoal. Se você aceita o convite parar entrar, poderá experimentar um dos mais belos – e terapêuticos – álbuns de quadrinhos desses últimos anos: Epiléptico.
Editado no Brasil pela Conrad, Epiléptico é um daqueles livros que se apresenta primeiro com seus anexos: melhor roteiro no Festival de Angoulême (2000), críticas sempre positivas da imprensa internacional, prêmio Ignatz de Artista Destaque para David B. em 2005, e assim se segue. Os certificados certamente sublinham a importância do álbum, mas nem mesmo eles conseguem dar conta das várias dimensões e qualidades que essa obra possui.
Epiléptico é literatura, cinema e artes plásticas. É quadrinhos, acima de tudo. É uma obra real de ficção. É auto-análise exposta em público. É um pedido de desculpa, confissão de pequenos crimes e uma redenção. A história de Pierre-François Beauchard, nome verdadeiro do autor, é tão verdadeira que comove, e comoção é hoje uma energia que nos desacostumamos a desprender. Ao contar sua história, o autor abre uma seqüência de lembranças que, certamente, o vestiram de tatuagens diversas, as mesmas que ele resolveu colocar no papel na forma de uma história em quadrinhos.
O autor é o narrador do livro. Seu relato começa nos anos 60, quando os homens começavam a romper o espaço sideral e sua própria idéia de humanidade. Hippies, sociedades macrobióticas, divãs e, no meio disso tudo, conflitos políticos. Esse é o cenário da infância de David B. e é nele que conhecemos Jean-Christophe, o irmão mais velho do autor, criança que brincava de ser ditador e sofria de epilepsia. A saga da família em busca da cura do primogênito é uma história de abdicação. De valores, de egoísmo e de auto-estima. A vida se move em torno de uma doença. A poesia aqui é a aquela que versa sobre monstros e fantasmas, todos eles personagens familiares ao narrador, hábil em brincar com seus bonecos de guerra e com o irmão, um menino que é simultaneamente vítima e inimigo, tolerância e raiva. De tudo isso nasce a compreensão e o amor entre todos na família.
Os conflitos são todos da perspectiva de uma criança. O recurso das metáforas infantis pode até ser uma solução óbvia para falar de uma história tão séria. Mas é preciso reconhecer que não são todos que conseguem fazer essa transfusão sem que se apele para lugares comuns. Mas lugar comum é, aqui, um território bem distante. O desenho de David B. leva a história para um mundo fantástico onde referências orientais – dragões, samurais e bichos lendários – interferem o tempo inteiro com a idéia de morte e vida, Yin e Yang, conceitos que desde muito cedo se formaram na cabeça do jovem Pierre. Aliás, vem dele ainda criança algumas das imagens publicadas aqui, salvas nos papéis que ele conseguiu guardar quando o drama de seu irmão passou a incorporar na dieta alimentar e filosófica de sua família.
Falando-se em família, é preciso destacar o papel dela dentro desse enredo. Família aqui é uma unidade e uma fragmentação. A história por trás do pai, da mãe, de cada um dos avós e mesmo dos bisavós guia o álbum como o dragão carrega no dorso seus heróis: orgulhosos e sempre olhando a cena do alto.
O distanciamento entre o autor e seu próprio personagem é sempre um movimento cauteloso, e em um momento específico do álbum, vemos David B. entrar nas páginas de Pierre. Essa quebra da narrativa deixa o leitor desarmado de seu próprio distanciamento com a narrativa. Mais forte do que isso somente o prefácio de Florence, a irmã mais nova da família. Sobre este, aqui vai um conselho: leia antes de começar a primeira página e depois que virar a última. São duas experiências distintas.
A propósito do autor, trata-se de um dos fundadores da editora L’Association, criada nos anos 90 por um grupo de quadrinhistas fora do eixo “mercadão”, como Cristophe Blain e Frédéric Boilet, ambos já publicados no Brasil pela mesma Conrad. Seu currículo guarda outras surpresas. Quem sabe elas podem estacionar na mão de mais editoras. Aliás, a notícia boa para os leitores é que o Epiléptico que acaba de ser publicado no Brasil é apenas o primeiro dos dois volumes que encerram a história. A saga de Jean-Christophe, dos monstros e guerreiros que o cercam, ainda tem muito a falar, mostrar e trocar.
» Epiléptico – David B., Conrad Editora. Tradutor: Idalina Lopes. Preço médio: R$ 44,90
Já vão em mais de 60 o número de inscrições para a nona edição do Festival Internacional de Humor e Quadrinhos do Recife, incluindo aí inscrições de vários países (no ano passado a participação internacional foi menor). Isso porque o evento só acontece em setembro...ainda tem tempo para muito mais. Mais informações no site do evento.
O vídeo tem quase 11 minutos e você fica cruzando os dedos pra que eles passem bem devagar. Afinal de contas, não é todo dia que vemos Alan Moore falando com aquele sotaque inglês preso na barba. Os anéis medievais de suas mãos gesticulando calmamente, enquanto ele fala coisas do tipo: "A gente não se lembra de como safadinhos nós eramos quando crianças." E do jeito que ele fala, você jura que está escutando seu avô contar uma história de dormir. Sem mais delongas, por favor, assistam!

Noé reeditado em comédia
Publicado em 03.08.2007 - Jornal do Commercio
Carol Almeida
calmeida@jc.com.br
No princípio, era o poder. Agora, é o aquecimento global. E, no final, tudo não passa de uma grande sessão da tarde, cujas pretensas mensagens políticas servem de cenário insípido para uma comédia nos moldes clássicos de Hollywood: um homem que cumpre todos os padrões de normalidade se vê diante de uma situação esdrúxula e começa a viver como se numa fábula... bíblica.
Em 2003, foi com Jim Carrey em Todo Poderoso, quando o ator fazia um jornalista resmungão que, de repente, ganhava de presente do próprio Deus toda a administração do planeta por um dia. Agora, em A volta do Todo Poderoso, Steve Carell é um jornalista (deve haver uma explicação para essa predileção profissional) que larga tudo para seguir carreira política e, depois de uma oração ao pé da cama, recebe uma visita do grande Criador que, irônico como sempre, dá ao jovem deputado a missão de salvar parte dos Estados Unidos de um desastre ambiental.
Evan Baxter, casado, pai de três filhos e um mamão por excelência (assim se consegue chegar fácil ao Congresso) quer “mudar o mundo” e Deus resolve dar uma forcinha. Ele, um ser que em toda sua supremacia saca tudo de marketing, decide fazer de Baxter um moderno Noé, e manda o rapaz construir uma arca pois um grande dilúvio vem por aí e, claro, descobrimos que este será um fenômeno provocado por ela, sempre... a ganância política. Como Al Gore estava com agenda cheia, quem faz Deus, pela segunda vez, é Morgan Freeman, que parece não ter problemas em emprestar sua divindade a comédias de verão.
O filme é bobão, ingênuo, um combo pipoca e refrigerante para toda a família. Vale por Steve Carell, ator que nos Estados Unidos é mais conhecido pela série The office, esteve recentemente no excelente Pequena Miss Sunshine e é a grande aposta de Hollywood para o riso fácil. Sua piração quando começa a ser perseguido por meio mundo de bichos rende bons momentos. Morgan Freeman faz aquela cara de Morgan Freeman e só isso basta para todo mundo se convencer de que ele é realmente Deus. No mais, a fábula da Arca de Noé funciona apenas para aquecer a conta bancária dos estúdios de efeitos especiais, já que 177 espécies de animais aparecem juntas várias vezes.
Por falar em conta bancária, é preciso citar que o grande marketing do filme está em sua proposta “verde”. O release diz que as folhas de papel dos roteiros foram utilizadas frente e verso e que a equipe do filme recebeu bicicletas para se locomover até o set de filmagem. Só esqueceram de mandar desligar o ar-condicionado das salas de projeção.
Adendo: não saia do filme ao fim da última cena. Um clipe dos bastidores com todo mundo dançando Gonna make you sweat (mais conhecida como Everybody dance now), é melhor do que algumas piadas do roteiro.
Confirmado! Y: the last man (ainda timidamente publicado no Brasil) vai virar filme (como se algum quadrinho já escrito não fosse virar filme algum dia...) Segundo o Hollywood Reoprter, Carl Ellsworth (Buffy the Vampire Slayer e Xena: Warrior Princess) vai escrever o script e D.J. Caruso (Disturbia, que deve estrear este mês no Brasil) vai dirigir. Por que só eu sou louca por essa série???
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