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Zine desta segunda

O oitavo arco de histórias de Sandman
Publicado em 20.08.2007 - Jornal do Commercio

Neil Gaiman é um caso sério, ao som de um bolero. Ou de uma valsa, ou ainda de uma ópera gótica. Não importa, seja qual for a música ao fundo de suas histórias (e ele adora usar trilhas), Gaiman é difícil de se emoldurar. Seu trabalho, afinal de contas, foi um dos grandes responsáveis pela ruptura dos quadrinhos como um ambiente encerrado em uma negociação unilateral entre a imagem e a palavra. Ele está longe de ser o único ou primeiro autor a quebrar o discurso de tempo-espaço dos quadrinhos (vale lembrar aqui do sempre eterno Will Eisner), mas é certamente aquele que fez isso conversando com uma geração de jovens cansados de seus heróis.
Essa introdução serve apenas para sublinhar que o lançamento de mais uma saga de Gaiman em edição de luxo – em uma iniciativa da editora Conrad em reeditar todos os arcos de histórias de Sandman em papel cuchê e capa dura – merece todo o mérito de um lançamento de destaque. Depois de Prelúdios e noturnos, A casa de bonecas, Terra dos sonhos, Estação das brumas, Um jogo de você, Fábulas & reflexões e Vidas breves, chega a vez de Fim dos mundos surgir nas livrarias.

Três elementos essenciais para entender a preciosidade deste oitavo volume: o prefácio de Stephen King (você já começa em clima nebuloso), alguns desenhistas e, claro, a própria história de Gaiman. O prefácio de King fala pelo nome do autor. Os desenhos, bem, esses merecem um parágrafo à parte.

É possivelmente em Fim dos mundos (R$ 66) que vemos algumas das experiências gráficas mais ousadas da saga Sandman, particularmente na primeira história, ilustrada por Bryan Talbot e Mark Buckingham. Tem ainda Mike Allred que, na época, ainda assinava como Michael. Allred, para refrescar a memória, é autor de Red Rock 7, recém lançado no Brasil e da saga Madman. Ou seja, seu nome quer dizer: colorido, pop, divertido. Em Sandman isso funciona estranhamente bem.

Quanto ao roteiro, aqui temos de volta histórias que não necessariamente se cruzam. Algumas são de tirar o fôlego, como a primeira, mas é preciso reconhecer que este não é o melhor momento do Senhor dos Sonhos e sua família (nesse aspecto, o anterior Vidas breves, com Delírio a procura de Destruição, dá um banho).

Agora, para completar a saga Sandman, faltam só mais dois arcos de histórias a serem publicados nesse formato: Entes queridos e Despertar. Alguém aí está contando os dias?

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