FIHQ - entrevista com Fábio Moon e Gabriel Bá
Uma palhinha da entrevista que, em breve, você lerá no Jornal do Commercio, com alguns dos mais talentosos quadrinistas brasileiros (e eles só estão começando...):
A oficina que você vão dar aqui no Recife chama-se "contador de histórias, não de piadas". Existe uma "pressão" para ser engraçado quando se faz quadrinhos no Brasil?
Fábio Moon: Não existe uma pressão, mas uma pré-concepção. A maioria da produção nacional (autoral) durante a ditadura era de humor, talvez para fugir da censura, e depois disso os autores migraram para os jornais, fazendo tiras de humor. As pessoas identificam essas tiras com Quadrinhos e acham que o quadrinhista faz humor. Nós contamos histórias, dramas, fábulas, com ou sem aspectos engraçados.
Gabriel Bá: É até ingenuidade e falta de conhecimento achar que Quadrinhos sempre são de humor. Nem mesmo Quadrinho infantil precisa ser humor, mas aqui no Brasil, é a regra. Isso acaba estigmatizando os profissionais, achando que todo mundo tem que ser Didi Mocó.
Que notas (e por que) vocês dariam à "crítica" em quadrinhos no Brasil?
Fábio Moon: De zero a dez, cinco. São bem intencionados, são apaixonados por quadrinhos, mas falta profundidade.
Gabriel Bá: De zero a dez, 3. Primeiro, é difícil ter uma crítica de uma produção tão pequena. Outro porque, na maioria, os críticos são fãs e muitas vezes perdem o olhar crítico da essência mesmo da história ou da técnica. O que se vê por aí são resenhas, resumos. Pouca coisa aprofundada mesmo.









