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fevereiro 29, 2008

Publicado hoje no JC

Guerra Fria em um momento nostalgia
Carol Almeida

calmeida@jc.com.br

Mais uma variação sobre o tema pós-11 de Setembro, só que desta vez com a diferença de um pedido de perdão um pouco menos inflado e um orgulho americano um tanto mais irônico. Não espere nada muito profundo de Jogos do poder (Charlie Wilson’s war, 2007), nem dê atenção demasiada às nadas disfarçadas mensagens políticas (as duas primeiras cenas descartam qualquer possibilidade de discutir este filme seriamente), mas aproveite todos os afiadíssimos diálogos entre os personagens de Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman.

Aliás, em se falando de Hoffman, nunca antes na história de Tom Hanks e Julia Roberts se viram cenas em que os dois inevitavelmente saíram do foco de luz. Não foi em vão sua indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Quanto aos demais, Julia Roberts volta à cena com um sotaque texano que só não é mais esquisito que a tinta loura de seu cabelo e Tom Hanks, bem, ele é Tom Hanks e desde que o cara cruzou a América correndo ou viveu uma relação afetiva com uma bola de vôlei, isso significa satisfação garantida ou seu dinheiro de volta.

Depois das já citadas cenas românticas ao lado da bola Wilson, Hanks agora é Wilson, o Charlie, um “homem do congresso”, como se diz nos Estados Unidos, que reverteu a situação do Afeganistão nos anos 80 retirando as tropas soviéticas do país. Tudo, claro, no bom e velho esquema americano de “nada sei, nada fiz” enquanto milhões de dólares eram depositados em armas gentilmente cedidas ao povo afegão.

A história é tão batida do contexto pelo qual os EUA passam hoje que não há como se apegar ao filme por suas intenções políticas, ainda que ele seja baseado na história real de um Charlie Wilson que existiu. Mas não se desanime. Jogos de poder vale a pena por seus diálogos laminados, novamente pela incrível presença de Philip Seymour Hoffman como um espião fora de forma e por toda e qualquer situação na qual onde alguns bons uísques, destilados tão importantes quanto qualquer personagem do filme, entram em cena. Em uma produção que se dá ao luxo de escalar uma atriz do porte de Emily Blunt (O diabo veste Prada, Meu amor de verão) para duas aparições no estilo “piscou passou”, é realmente desnecessário usar bebidas baratas.

A direção aqui é de Mike Nichols, mais conhecido entre os fãs do filme que transformou a música The Blowers daughter numa pandemia internacional: Closer. Bem menos inclinado agora a discutir relações pessoais, Nichols faz um filme honesto nos meios, mas fraco nos fins (ou seja, na tal moral da história). O orgulho de ser americano tem até sua sinceridade, mas os minutos finais de redenção não convencem nem os fãs de Michael Moore.

Aliás, em se falando em mensagens, Jogos de poder traz mesmo de volta um certo prazer juvenil da época da Guerra Fria em usar a palavra “russos” como a grande alegoria do mal. Da época em que era muito mais fácil reconhecer os vilões e os mocinhos.

Maratona da Terra do Sol Nascente

Ano de centenário da imigração japonesa no Brasil... e se você for capaz de somar dois mais dois, vai entender que este também é o ano do MANGÁ, do ANIME, COSPLAYS...e pode acreditar que a programação é intensa.

Pelo menos no Recife, onde ontem o consulado japonês anunciou seu calendário 2008: de cara, logo agora dia 19 de março, teremos por aqui uma palestra de Keisuke Iwata, produtor de animes como Pokémon, Naruto, Evangelion, entre outros

Em julho, quem se deu bem com tudo isso foi o pessoal do SuperHeroCon, cuja agenda se encaixou direitinho com a programação do consulado. A convenção que no ano passado fez chover milhares de meninos e meninas no Teatro da UFPE deve bombar muito mais este ano. Até porque o prêmio do melhor Cosplay quem vai dar é o próprio consulado. O SuperHeroCon acontece dias 26 e 27 de julho.

fevereiro 26, 2008

A case for Mulder and Scully

No último domingo a Wondercon fez a festa de alguns poucos sortudos fãs e colocou na mesma mesa Chris Carter, Gillian Anderson e David Duchovny. Não precisa dizer que o assunto é Arquivo X 2, o filme, e que eu daria TUDO pra poder estar nessa pequena coletiva. Mas hoje temos o You Tube e quem tem You Tube, tem Google (leia-se: Deus).

Abaixo, algumas das frases memoráveis da coletiva:

"I always saw The X-Files as a search for God.” Chris Carter

"I always thought that Mulder should… I don’t think we ever did this… but auto-erotic asphyxiation. That was the way I was going to die, that was the way Mulder was going to die… Chris?” Gillian Anderson (vocês precisam ver o barulho da platéia após o "auto-erotic asphyxiation"!)

“She loves Bad Blood… every day it’s ‘Bad Blood-Bad Blood- Bad Blood!” David Duchovny, sobre o episódio predileto de Gillian Anderson (um dos meus favoritovs tb! - pra quem não lembra, é aquele episódio de vampiros que se passa no interior do Texas, com participação especial daquele bonitão de CSI com quem Scully fica caidinha e Mulder ciumento...se deu para esclarecer algo...)

Quer ver os vídeos (e sublimar a mulher histérica que está gravando as entrevistas com sua inquieta câmera?):


Clique aqui
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Aqui
e aqui

Em julho, nos cinemas.

fevereiro 24, 2008

A poética de Persépolis

Persepolis2.jpg

"Ou as pessoas gostam de escrever ou elas gostam de desenhar. A gente gosta das duas coisas. Nós somos os bissexuais da cultura. As pessoas não acham que é um problema se você é um homossexual ou se você é heterossexual, mas se você é bissexual elas têm um problema com você."

Marjane Satrapi não poderia ter traduzido melhor essa sensação de não-lugar que muitas vezes as artes gráficas e seus autores têm em relação ao rótulo de seu produto final. Graphic novels para os adultos-cabeça, quadrinhos para os pirralhas-preguiçosos. Com público alvo definido, tudo fica mais fácil nas planilhas de Excel das editoras. Marjane, a Marji de Persépolis, seu livro mais conhecido, não se sente confortável com qualquer um desses rótulos. Ela cria histórias com palavras que se fundamentam em imagens e imagens que procuram alento nas palavras. Taí uma definição curta de seu registro profissional.
Desde o ano passado, quando Persépolis estreou no festival de Cannes, onde ganhou o Prêmio do Júri ao lado do diretor Vincent Paronnaud, com quem dividiu a direção e a adaptação de roteiro para o cinema, Marjane se firmou para as massas – até onde vão as massas que assistirão ao seu filme no circuito independente de cinema – como uma exímia contadora de histórias que, não por um acaso, podem ser as dela própria.
A poucos minutos do Oscar, este post é uma declaração de amor a essa primeira grande história de Marjane Satrapi: Persépolis, seja o filme, seja o álbum. O último foi lançado no Brasil primeiramente em quatro volumes pela Companhia das Letras (que recentemente relançou a história em um único volume). Quanto ao filme, este eu vi ontem à noite, de modo que a memória fresca me induz a trocar algumas idéias sobre os 95 minutos de projeção.
Numa época em que o cinema de animação virou sinônimo de grandes efeitos de computação gráfica em 3D, onde tudo é tão perfeito e colorido e engraçado e Pixar e Dreamworks e tudo e tal, Persépolis é um deslumbre de simplicidade. Os desenhos, criados todos em duas saudosas dimensões, saltam na tela em uma constante brincadeira entre o preto e branco. Em vários momentos, particularmente quando se conta uma história dentro da própria história, esses desenhos e suas animações mudam de tom, nos lembrando de antigas técnicas cênicas como o teatro de bonecos. As possibilidades aqui parecem sempre infindáveis e dançam com a história um perfeito pas de deux.
E, em falando dela, a história: tudo que se passa na vida da pequena Marjane Satrapi da complicada dialética infantil do eu (tese), os outros (antítese) e eu de novo (síntese) até a adolescência de guitarras no ar e inevitáveis desilusões amorosas. Tudo isso tendo como pano de funo a Revolução Islâmica e a guerra entre Irã e Iraque, assuntos que foram sempre distantes e estereotipados demais em nossas TVs. O filme cobre todo esse período entre os anos 70 e os dias atuais dentro e fora do Teerã.
De todas as relações que a pequena Marji estabelece na sua incrível auto-biografia, duas em especial pontuam o filme em momentos sempre poéticos: Marji e sua vó, Marji e Deus. O que não deixa de ser a mesma coisa. Vós, como todos sabem, são Deus. Não dá para falar muito, mas se você tiver um pingo de sensibilidade em algum lugar escondido atrás da retina, prepare-se para chorar com os diálogos entre essas figuras.

Sim, voltei a postar. And I hope this time for good.

 

.carol almeida
.dia: jornal do commercio
.noite: mestrado em mídia ativista
.tarde da noite: zuper blog!
.amanhecendo: sono

 
Angeli
Scott McCloud

 
now i just
i just got home
one evening
and i um
i was just walking home
and it was really horrible
snowing
cause I lived
on riverside drive
in harlem
in harlem
in harlem