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O Comics Reporter desta segunda trouxe o link para vários blogs comentando o caso Jerry Siegel e os direitos autorais do Super-Homem (mais em post lá embaixo). Saí catando alguns.
"I suspect the main purpose of the court case has been to put off the moment of reckoning as long as possible; not the moment of financial reckoning, because that clock started ticking in 1999, but the moment that the heirs to Superman could license Superman to entities other than DC Comics, which, as co-copyright holders, they are entitled to do. Marvel Comics publishing their own Superman comic, anyone?"
Neil Gaiman
"I think this is amazing. I’ve got a lot of thoughts on creator ownership, on claims by estates and heirs, all that sort of stuff. I’m trying not to say anything contradictory (or flat out wrong), but I’m just surprisingly happy about this. I think it’s difficult to know anything about the treatment of Siegel and Shuster since the creation of Action Comics #1 to present day by DC and think this is anything but just, but… Yeah, even if they’d made $100,000 a year since 1938 (and they really, really didn’t) I still think there’s a moral imperative for creators to be able to control what they create, and for contracts, all contracts, to have limits."
Chris Butcher
"This is fucking immense"
Warren Ellis

Quando Peter Kuper visitou o Recife, há dois anos, como convidado do Festival Internacional de Humor e Quadrinhos, o Brasil já conhecia um pouco de sua obra com a publicação de A metamorfose, a adaptação em quadrinhos do maior clássico de Franz Kafka. Agora, pela mesma Conrad Editora que lançou A metamorfose, chega o livro Desista! e outras histórias de Franz Kafka. Sim, exatamente isso, Kuper novamente com Kafka (e se você acha esse um trocadilho infame, espere para ler o texto de apresentação do livro, escrito por Jules Feiffer, que já ganhou um Pulitzer por seus cartuns no jornal americano The Village Voice).
Novamente, vemos esse exímio ilustrador americano (cujo trabalho com Spy vs Spy também voltou a ser publicado no Brasil na semana passada com o relançamento da MAD) construindo um universo asfixiante, escuro, estóico, opressor, acimentado, perverso e sarcástico. Ou seja, as melhores e mais nobres qualidades de Kafka. Kuper parece ter sido abduzido pela obra de seu inspirador. E, para quem lê sua obra, isso é um tremendo benefício.
Em Desista! (R$ 19,90, 70 pgs.), o quadrinista traz toda sua experiência como ilustrador para sintetizar alguns contos de Kafka, daqueles mais pessimistas possíveis. As primeiras páginas, que utilizam sempre os títulos dos contos como elementos gráficos (a lembrar das fantásticas primeiras páginas de Will Eisner, mestre e precursor nesse tipo de recurso), introduzem em grande estilo as histórias que são tão curtas quanto angustiantes.
E se é para selecionar alguns dos momentos brilhantes da dupla Kuper/Kafka, é preciso sublinhar as histórias de A ponte, Um artista da fome, O pião e O abutre. Todas nos dão uma sensação de feliz descobrimento de um estranho mundo que há dentro de nós, numa constante impressão de que estamos sendo observados na mais profunda intimidade, quando a loucura se dá ao luxo de nos visitar.
Tudo aqui parece corroborar com a epígrafe usada pelo ilustrador para abrir o álbum: “O livro deve servir como machado para o mar congelado que há dentro de nós.” Por Franz Kafka.

Acaba de fechar a luz desse que foi um agradável dia nublado, dos meus prediletos. Fecha-se também, pela segunda vez, a última página da mais comprida de todas as sagas de Sandman: Entes queridos. Tenho certeza de que quando li pela primeira vez os 13 capítulos dessa história passei rápido demais pela estranha lucidez dessa obra-prima de Neil Gaiman.
Não adianta tentar acrescentar muito ao que já foi dito sobre Entes queridos. As palavras vão terminar se repetindo... dessa minha segunda leitura, dá apenas para dizer que Gaiman é assustador demais da conta. E isso não diz respeito à natureza de seus personagens, que são o que são, impiedosos ou solidários (raros os últimos casos). Falo mesmo é da inacreditável habilidade que alguém tem em costurar tão bem um monte de fios aparentemente "eninhados" em um nó impossível de desatar.
Esse é Gaiman. E nas palavras dele próprio, isso é Entes queridos:
Ainda não consigo medir meu sucesso com Entes queridos, se cheguei perto ou passei longe do que me propuz a dizer. De qualquer modo, este é o mais pesado de todos os volumes. Pelo menos na versão em capa dura, não tenho dúvidas de que serviria, no mínimo, para nocautear um ladrão que arrombe sua casa; e esta sempre foi minha definição de arte verdadeira.
Alguns dos melhores momentos do livro:
“Sempre foi prerrogativa das crianças e dos estúpidos indicar que o imperador está nu. Mas o estúpido permanece estúpido e o imperador continua imperador.” Sandman
“Por um tempão pessoas e coisas vão parar nessa mesma esquina e olhar pro céu sem saber o que estão procurando. Alguns até vão enxergar um relâmpago fantasma. Outros podem até ser mortos por ele. Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade.” Delírio
“- Se lembra do meu irmão Sonho? Você conheceu.
- Alto, pernóstico, meio enfezado? Com jeito de quem não sai muito?
- Hã. Sim, Esse.” Conversa entre delírio e o escrotinho do Barnabé, o cão
O álbum, capa dura, está sendo vendido pela Conrad por R$ 96.

Por essa poucos esperavam....e Jerome Jerry Siegel deve estar em algum lugar feliz com essa notícia. Depois de 70 anos, a família do cara que elaborou toda a concepção do Super-Homem ganha finalmente parte dos direitos autorais sobre o personagem que ele criou com seu amigo Joe Shuster (cuja família agora também pode reclamar sua parte do bolo). Na foto ao lado, Jerry (acima) e Joe.
Essa é uma decisão que toda a comunidade de artistas de quadrinhos esperava. Afinal de contas, imagine só o que é vender por 130 dólares os direitos de publicação do Super-Homem em seu primeiro ano de nascimento. Pois foi isso que Siegel e Shuster fizeram há 70 anos. E não é preciso dizer que eles e suas famílias perderam ao logo de toda a vida os bilhões de dólares que foram gerados em função do personagem.
Os olhos da indústria se voltam agora para a DC Comics, que publica os quadrinhos do herói, e a Warner Bros., que tinha os direitos para produzir os filmes. Quanto eles terão que dar a Joanne Siegel e Laura Siegel Larson (viúva e filha de Jerry)? Teremos novos casos de autoria revista? Será que os personagens algum dia se transformarão em domínio público?
Stenio, do Animepan, me passa umas informações legais sobre uma edição especial do evento, que acontece no próximo dia 18 de maio. Dá uma lida:
O evento acontecerá no dia 18 de maio, no Clube Internacional do Recife. Haverá várias atividades alem do concurso de cosplay eliminatório para a final do WCS, que é o cargo chefe dessa edição especial. Também terá Combate Karaokê, Guerra de cotonetes, RPG, LARP (batalha medieval), apresentações de bandas, apresentações culturais, exposições, Quests (gincanas), 1ª Amostra Animepan de Amv (anime music vídeo), 1º campeonato de Games Animepan (este campeonato será de algum jogo em especifico, mas ainda está sendo decidido qual será o jogo). Além de uma nova categoria no Animepan de concurso Cosplay: o Desfile Cosplay.
E como de costume, o Animepan adora premiar seus visitantes e fará sorteios. Dentre os prêmios será sorteado um Playstation 2 ou um Nintendo DS (de acordo com a votação da pesquisa na comunidade do Orkut).
Dúvidas sobre o evento, mandem um mail pro cara: producao.animepan@gmail.com

Ontem, quinta-feira, fez-se 100 anos da primeira tira de quadrinhos do mundo: Mutt e Jeff, uma criação de Bud Fisher. E aí vai uma informação super reveladora sobre os dias dos papéis... Quando Mutt e Jeff foram lançados, havia cerca 2.600 jornais circulando nos Estados Unidos. Hoje, existem menos de 1.450.
Olhem só o sucesso que é você ter uma faculdade de mangá por aí:
KYOTO--Kyoto Seika University, the only university in the nation with a faculty dedicated to manga studies, has been inundated with orders from local governments, private firms and other organizations to produce informational materials illustrated in the style of comic books.
In the past five years, the university has received 100 such requests for materials as varied as a primary school teaching aid for traditional handicrafts and a pamphlet publicizing flood control measures taken by the Construction and Transport Ministry.
The orders have created tens of millions of yen in income for the university.
Created by students or recent graduates of the university, the illustrated materials are popular because they are easy to read and can express an abundance of information in picture form.
Via Daily Yomiuri Via Comics Reporter
A propósito do encontro que aconteceu hoje cedo no Recife sobre Computação Gráfica e Entretenimento (ou de como a tecnologia é irmã do grafite no papel), eis algumas notícias interessantes:
A primeira, claro, é a chegada do dinheiro da RBV, Rede Brasileira de Visualização, que vai ativar um bocadinho de dinheiro e possivelmente abrir um estúdio para criação de conteúdo digital para vídeo e games em Pernambuco. Quem deu a notícia foi Geber Ramalho, coordenador da RBV no Brasil. Mais sobre o assunto mais tarde.
Depois, passem por esse link aqui, um texto legal da revista Variety (publicado semana passada) sobre a competição acirrada do mercado de animação. Segundo a própria Variety, "the animation boom is far from over".
E aqui uma entrevista muito legal com os animadores de Horton e o mundo dos Quem. Pra quem não viu o filme, as texturas dos primeiros minutos do filme são IMPRESSIONANTES.
Algumas das verdades que descobri sobre Fabio Yabu em conversa que tive há poucos minutos com ele:
1) Ele não sabe o que escrever no espaço “profissão”: “às vezes coloco desenhista, às vezes escritor”.
2) Ele dedica metade de um dia da semana para fazer toda a produção de seu BBB
3) Ele é fã do Calvin....(eu também! eu também!)
4) Ele não gosta de Star Wars!
5) E nem de Senhor dos Anéis!
Mais sobre Yabu e Princesas do Mar em breve, no Zuper mais próximo de você.
"As histórias em quadrinhos são uma arte inteira, que não precisam nem do cinema nem da literatura para existir".
Marjane Satrapi, autora de Persépolis, sua autobiografia em quadrinhos que foi adapatada para o cinema

Andi é o menino no centro da imagem ao lado. E ele é o protagonista de uma tira em quadrinhos que tem dado o que falar na Alemanha e no mundo. Andi surgiu em 2004 como um personagem da comunidade muçulmana que, de um jeito ou de outro, tenta passar uma mensagem assim: existem muçulmanos legais (e eu sou um deles) e existem aqueles que usam a religião como uma arma política, e eles são maus!. Mais de 100 mil cópias dos quadrinhos de Andi foram impressos e distribuídos em escolas secundárias da Alemanha (a lembrar que Berlim é a cidade com a maior quantidade de turcos fora da Turquia) e a iniciativa tem dado o que falar.
Lembrando que, há dois anos, o kuaitiano Naif Al-Mutawa lançou sua série de super-heróis The 99, com 99 jovens do mundo inteiro, cada um com um dos 99 atributos de Alá. É a primeira história de super-heróis islâmicos.
Via NY Times

Ok, preciso admitir: eu me vendo fácil por uma boa capa e esta daqui me ganhou em poucos segundos. Delivery Service of Corpse (DSC) conquista no desenho trendy meio webdesign meio game que a Conrad publica agora...mas é preciso reconhecer: a capa está longe de ser o maior mérito desse lançamento. Eiji Otsuka prova aqui que sabe trabalhar as melhores qualidades de um bom mangá de aventura e suspense: personagens convincentes, um protagonista aparentemente deslocado, histórias com algo de sobrenatural e, claro, acima de tudo, muito senso de humor.
Tendo isso dito, nossos (anti)heróis agora formam um quinteto: Kurô Karatsu, jovem com habilidades de ouvir os mortos, Ao Sasaki, a hacker da turma (algo me lembra Willow aqui), Numata-Kun, o radiestesista (e essa é uma ótima oportunidade de você pesquisar no Google o que isso significa...ler o livro também é uma boa opção), Makino-Chan, uma pirralha que não é pirralha e sabe embalsamar corpos como ninguém, e finalmente Yatakun, um médium canalizador que se comunica muitas vezes via um fantoche com cara de pokémon.
Não é preciso ser um gênio da dedução para entender que se trata de uma histórias envolvendo gente morta. Aliás, gente morta aqui é, de fato, um negócio. Porque esses cinco querem ganhar dinheiro tentando satisfazer os desejos daqueles que já se foram. Em troca, os defuntos podem ajudá-los a ganhar algum bom trocado. Ou não.
Neste primeiro álbum, quatro casos, a começar por uma história sinistra envolvendo não apenas pedofilia como incesto. Algo que me fez pensar sobre a classificação 16 anos da capa. Tudo bem, nada aqui equivale às bizarrices e escatologias de um Ero-Guru, mas ainda assim.... Enfim, cada caso do DSC tem suas macabrices (algumas mais que outras) e, no fim, a turma sempre termina achando mais do que se imagina. Por trás de cada corpo sempre tem muita história e na maioria das vezes elas não são agradáveis (a do cabelereiro então...). Ainda assim, esse é um dos mangás mais irônicos desses últimos tempos e me faz pensar em Grisson de CSI. De como a vida dele podia ser mais fácil.
Que venha o volume 2 (já em pré-venda no site da Conrad).

Taí um preview do desenho de Luciano Felix em uma brincadeira com Meu nome não é Johnny, trabalho que sai na nova MAD, agora relançada no Brasil pela Panini. Luciano, como era de se esperar, está no time de Ota, o cara que cuida do material brasileiro na MAD. E esperem porque o rapaz em breve publica seu primeiro álbum em quadrinhos...segundo ele, o trabalho já vai em 100 páginas.
Site de Felix (não deixe de dar uma checada nos quadrinhos)

Hergé, na foto acima à direita, pode até ser o cara de Tintin, o autor de todas as aventuras do detetive de topete loiro...mas é o homem da esquerda, Raymond Leblanc, o cara que fez de Tintin um blockbuster internacional. O editor belga da revista faleceu no último dia 21, aos 92 anos, e sua morte foi anunciada hoje em alguns sites. Há quem diga que Leblanc mudou toda a história de como o mundo percebe hoje as histórias em quadrinhos. Ele deu um novo status à arte. Aliás, ele fez com que as HQs fossem reconhecidas como arte.
Raymond Leblanc, the Belgian publisher behind the global rise of Tintin's comic-book adventures, died on Saturday at the age of 92, the company he founded said. Lombard editions paid tribute to "the qualities of the man and of the shrewd publisher who contributed to recognition of animated books as the ninth art.
In launching the Tintin journal and the innumerable paper heroes it gave rise to, he goes down as one of the essential figures behind the international boom in French-Belgian comic-books.
Via The Times of India
Glauco. Não é o cara do Geraldão, mas é a pessoa que está na frente de uma ótima proposta em quadrinhos. Glauco Guimarães é o diretor de arte à frente do projeto da Bossa Nova Editora. Até o dia 9 de maio eles estão a procura de novas histórias em quadrinhos, "à caça de talentos nacionais", segundo eles mesmos. Para saber o que mandar e como mandar, clique aqui.
Geeks, techies, nerds or whatever you call the IT crowd, can now tell their own story and turn that into a daily web-comic. No need drawing anything! Thanks to IT Dev Comics, a group of IT maniacs who just launched the Heroes Happen Here project. More about it on Newsarama:
The comics are spearheaded by Gorfinkel, who earned his comics pedigree as an editor for DC in their Batman family of titles. Now President of Avalanche Comics Entertainment, Gorfinkel heads up the editorial side while the comics themselves are written primarily by Chuck Dixon, with illustrators signed on including well-known American comic professionals as well as new comers as they try to work with artists in different countries.
And the webcomic won’t just be based on the American experiences; stories cover Canada, Latin America, Great Britain, Germany, Japan, Spain, France, India, China, Hong Kong, Taiwan, the Middle East, Africa and the Asian Pacific. Keeping with their plant o focus on stories from across the globe, they are also accepting submissions from artists to draw future episodes. “Potential artists can go to www.itdevcomics.com and we will have a place to get in touch with us directly. Even if they may onto be right for this project, Avalanche has other projects going on all the time and we’re always seeking new talent.”
Naturally, the project is sponsored by people who can spend that amount of money on something completely useless and yet very interesting from the marketing point of view. In other words, Microsoft and Seagate.
Via Newsarama
And IT Dev Comics

Na próxima quarta, o Cinema da Fundação recebe um evento chamado Computação Gráfica e o Mercado do Entretenimento. Em outras palavras, como alguns softwares de animação (seja em 2D e, particularmente em 3D) podem mudar sua vida. Sobre o encontro, conversei com Leanndro Amorim, co-diretor e co-criador da animação Até o Sol Raiá (na imagem acima), vencedora do Anima Mundi de 2007 na categoria animação nacional. Uma pequena parte do depoimento de Leanndro saiu neste domingo no Caderno C do JC. Mas a conversa completa você checa aqui:
Qual o mercado para quem quer estudar técnicas de animação?
Hoje aqui no Brasil, para quem quer trabalhar com animação, existem algumas opções e uma delas é o mercado publicitário, creio que atualmente é a área que mais abriga animadores porque é um mercado onde circula bastante dinheiro e sempre tem trabalho, então se você for bom provavelmente terá trabalho, mas não terá vida pessoal. Isso é bastante cansativo e se você não estiver trabalhando em um bom estúdio também torna-se bastante desestimulante. É um ótimo primeiro passo para aprender a lidar com clientes, trabalhar em equipe, trabalhar com prazos apertadíssimos e se estressar bastante. Também existe o mercado de jogos, que está crescendo muito aqui no Brasil, principalmente por essa nova geração de vídeo-games, que vai exigir equipes cada vez maiores. É um mercado bem promissor e bem mais divertido, uma vez que trata de uma indústria de entretenimento. Hoje, com a velocidade das conexões, também se torna bastante comum o uso de animações em websites, acredito que com o tempo a animação terá um espaço maior dentro dessa mídia. Tem também a área de curtas-metragens, que apesar de ser uma opção freqüente de profissionais e estudantes de animação, a maioria das vezes são feitos apenas para testar conhecimentos e satisfação pessoal, então não pode ser considerado um mercado. E tem os longas metragens, que o é grande desejo de qualquer animador, só que aqui no Brasil ainda é embrionário, ainda contamos nos dedos os longas feitos no Brasil. Atualmente é que está surgindo projetos mais promissores e interessantes, acredito que nos próximos anos teremos algo realmente interessante, por enquanto esse é um mercado que se alguém quiser, terá que tentar no exterior.
O You Tube deu uma nova perspectiva de distribuição para a produção de vídeos. Os softwares de animação e edição de fácil acesso deram nova energia aos produtores. Até que ponto a cultura do "faça você mesmo" facilita e/ou dificulta o resultado do produto final?
Acho que é uma cultura com a qual se deve ter bastante cuidado, caso o produtor esteja realmente preocupado com a qualidade final. Muitas vezes, graças a todas as facilidades, muita gente pula etapas importantíssimas na produção e pela ansiedade de mostrar logo no youtube, acaba se precipitando. Agora, é claro que a praticidade e o acesso a tecnologia ajudam muito na produção e, cada vez mais, o seu tempo de execução se reduz. Se o produtor tem consciência e respeita todas as etapas do processo de produção, aí sim, ele vai poder usar toda essa facilidade atual para incrementar e deixar seu filme com um acabamento muito melhor, em vez de sair por aí fazendo qualquer coisa só para dizer que fez.
Depois de Até o Sol Raiá, quais os próximos projetos de vocês em cinema?
Atualmente, nós não temos nenhum projeto em andamento, apenas estamos trabalhando com publicidade e tentando alguns projetos na área de jogos. Também estamos estudando muito para tentar acompanhar o ritmo do crescimento da animação. Temos algumas idéias para um futuro, mas por enquanto, são apenas idéias.
No Brasil, é comum estúdios trabalharem com publicidade e, a partir disso, conseguir recursos para produção de curtas autorais?
Olha, pelo que vejo, isso é uma pratica bastante comum em produtoras de vídeos. Não vejo muito isso em estúdios de animação, vemos às vezes, mas não tão comum como curtas com atores reais produzidos por produtoras de vídeo.
Vocês vislumbram para um futuro breve a produção de um longa em animação made in Brazil?
Por enquanto não, é muito complicada a produção de um longa por aqui, uma das grandes dificuldades é a mão de obra, que é bastante difícil de conseguir, porque a maioria dos bons profissionais tem empregos fixos em ótimos estúdios e produtoras. Também existe uma dificuldade grande quanto ao financiamento de um longa, se queremos fazer algo realmente de qualidade e que consiga competir com o mercado de fora. Se grandes estúdios lá fora, com anos de experiência, equipes montadas, estruturas excelentes, melhores profissionais que existem, anos de desenvolvimento de ferramentas, ainda assim gastam entre 20 e 170 milhões de dólares, não acredito que esse gasto seja à toa. Não falo em gastarmos 20 milhões de dólares, mas também com 3 ou 4 não dá. Acho que ainda falta trilharmos um longo caminho, ter mais cursos, faculdades de animação para podermos ter mais animadores e artistas e ainda conseguir segurar eles, para que não sejam sugados pela indústria no exterior, isso é o que já vem se fazendo a anos lá fora.
Tudo sobre o (re)lançamento da MAD - e uma notícia interessante sobre um crossover entre Asterix e Pato Donald - no blog do Ota.
A série da vez entre os alternativos americanos é Sammy, the mouse. A Fantagraphics dá o preview de algumas páginas no Flickr.
Tudo indica que Bryan Singer é mesmo o diretor do Superman 2 (a versão com Brandon Rough). Agora é cruzar os dedos pra que o estúdio confirme a informação.
Uma review bem legal (e em inglês) de uma das forty-niners: Keiko Takemiya. Para os que não sabem: as forty-niners, ou Year 24 Group, são grupos de mulheres que deram um outro nível de complexidade aos mangás shôjo (mangás para meninas) e shônen-ai (mangás com histórias românticas).
Dois novos trailers de Speed Racer.
Keisuke Iwata, que estará no Teatro da UFPE, no próximo dia 19, também deve participar do Rio Anime Club, no Rio de Janeiro, ainda este mês. Aqui, a lista dos animês já produzidos por ele.
E, sim, a Warner Bros adquiriu os direitos para filmar Bone, de Jeff Smith. Só resta saber como exatamente eles vão filmar isso....era o momento da Warner finalmente investir dinheiro em uma boa animação no lugar de efeitos especiais de estética duvidosa. A notícia saiu no Hollywood Reporter.

Não é de bom tom cobrar da elegância algo que a explique. A elegância é um mérito que se encerra em si mesmo e não deve explicações a ninguém, acima de tudo, por ser um fenômeno muito mais sensorial que propriamente analítico. Mas a jovem (ao menos jovem no campo literário), Muriel Barbery soube em um livro criar a elegância na ética e na estética da literatura. Em seu segundo romance, A elegância do ouriço (Companhia das Letras, R$ 45, 352 pgs.), ela conseguiu dar uma certa razão e moral à palavra, sem com isso destituí-la de sua qualidade primária de beleza que se distancia de qualquer juízo de valor.
Juízo de valor, aliás, é uma expressão-chave nessa história que, a partir de uma curiosa abordagem da fenomenologia, liga duas mulheres em uma trama cheia de ironia, afetividade e, claro, elegância. A reflexiva auto-condenação dessas duas mulheres nos contextos em que vivem é um constante sarcasmo com cânones da civilização (palavra que aqui vira sinônimo para "violência dominada"), suas elites, universidades e preconceitos. São essas duas mulheres: Renée, a concierge de luxuoso edifício parisiense em seus bem lidos 54 anos, e uma menina de 12 anos (da qual só conhecemos o nome na página 260), com uma percepção extraordinária do mundo interno e externo, que calha de morar em um dos luxuosos apartamentos do prédio onde trabalha Renée.
A partir do diário de ambas, mergulhamos (e em salto que parece sempre cair perfeito na piscina) nos pequenos grandes universos das pessoas invisíveis. Algumas delas, como definiria a jovem adolescente ao se referir a Renée, guardam a chamada "elegância do ouriço": "por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes."
Antes da metade final do livro, no entanto, é introduzido à história o personagem que dará forma, ética e esteticamente, a essas duas mulheres: o senhor Kakuro Ozu, novo morador do soberbo endereço nº 7 da Rue de Grenelle. Sua relação com ambas faz com que nasça uma improvável aproximação das personagens centrais e, com este movimento, um notável sintoma de otimismo de Muriel Barbery, ela própria uma professora de filosofia, campo de estudo ao qual faz intensa referência neste livro.
Observação: evite ler as orelhas deste título. Vá direto ao miolo para não perder as felizes surpresas que só o virar de páginas pode oferecer.

Eisner, mais vivo do que nunca
Publicado em 03.03.2008
Alguns nomes falam por si só – e claro que Will Eisner faz parte dessa categoria. Cada relançamento seu pela editora Devir provoca algo entre uma profunda admiração e uma certa saudade daquele que, até pouco tempo atrás, estava em todos os lugares e em várias entrevistas, revendo e analisando os quadrinhos (enquanto arte) nos Estados Unidos e no mundo. Falecido em janeiro de 2005, Eisner chegou a visitar o Recife em 2001 no Festival Internacional de Humor e Quadrinhos e deixou alguns bens guardados autógrafos na cidade. Afinal de contas, tratava-se do maior quadrinista vivo do mundo, a pessoa que desde o começo ousou quebrar os padrões da poderosa indústria dos quadrinhos de super-heróis.
Pois Eisner está de volta agora com um álbum que nos lembra sua energia de criação: A força da vida. Ok, o título é um tantinho brega, mas as histórias fazem parte da série de contos escritos por Eisner em tributo às suas lembranças no subúrbio de Nova Iorque, particularmente no Brooklyn e no Bronx. Nada piegas. As narrativas aqui se cruzam com as demais histórias desenhadas por Eisner em seus álbuns clássicos: Um contrato com Deus, Avenida Dropsie, O sonhador, O edifício. Todos os títulos já foram publicados recentemente no Brasil pela Devir, exceto o último.
De uma maneira geral, são sempre revisões de um período de crise econômica nos Estados Unidos a partir das comunidades de imigrantes (em especial as famílias judias) na periferia de Nova Iorque. O objeto de trabalho de Eisner são sempre as pessoas, suas angústias, desejos, falhas e acertos. Um estudo microscópico de um país que costuma ser sempre analisado em seus aspectos macros.
A força da vida não foge a essa regra. Em 12 capítulos, Eisner vai costurando o cotidiano de pessoas que tentaram sobreviver à Grande Depressão dos anos 30. A do velho Jacob Shtarkah, sua esposa Rifka (o velho modelo da mãe judia como a pessoa que manda em todos na família), do jovem gentio Elton Shaftsbury e de vários outros personagens que, de um jeito ou de outro, arrumam - tal como as baratas - um jeitinho de viver mais um pouco. Se você já leu alguns dos demais títulos acima, vai achar novamente a famosa Avenida Dropsie, além de alguns rostos familiares, afetivamente familiares.
Se estivesse vivo, Eisner completaria 91 anos na próxima quinta-feira. E ainda que não possa apagar as velinhas, sua obra parece estar sempre soprando um vento de renovação nos quadrinhos.
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