Sandman - Entes Queridos

Acaba de fechar a luz desse que foi um agradável dia nublado, dos meus prediletos. Fecha-se também, pela segunda vez, a última página da mais comprida de todas as sagas de Sandman: Entes queridos. Tenho certeza de que quando li pela primeira vez os 13 capítulos dessa história passei rápido demais pela estranha lucidez dessa obra-prima de Neil Gaiman.
Não adianta tentar acrescentar muito ao que já foi dito sobre Entes queridos. As palavras vão terminar se repetindo... dessa minha segunda leitura, dá apenas para dizer que Gaiman é assustador demais da conta. E isso não diz respeito à natureza de seus personagens, que são o que são, impiedosos ou solidários (raros os últimos casos). Falo mesmo é da inacreditável habilidade que alguém tem em costurar tão bem um monte de fios aparentemente "eninhados" em um nó impossível de desatar.
Esse é Gaiman. E nas palavras dele próprio, isso é Entes queridos:
Ainda não consigo medir meu sucesso com Entes queridos, se cheguei perto ou passei longe do que me propuz a dizer. De qualquer modo, este é o mais pesado de todos os volumes. Pelo menos na versão em capa dura, não tenho dúvidas de que serviria, no mínimo, para nocautear um ladrão que arrombe sua casa; e esta sempre foi minha definição de arte verdadeira.
Alguns dos melhores momentos do livro:
“Sempre foi prerrogativa das crianças e dos estúpidos indicar que o imperador está nu. Mas o estúpido permanece estúpido e o imperador continua imperador.” Sandman
“Por um tempão pessoas e coisas vão parar nessa mesma esquina e olhar pro céu sem saber o que estão procurando. Alguns até vão enxergar um relâmpago fantasma. Outros podem até ser mortos por ele. Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade.” Delírio
“- Se lembra do meu irmão Sonho? Você conheceu.
- Alto, pernóstico, meio enfezado? Com jeito de quem não sai muito?
- Hã. Sim, Esse.” Conversa entre delírio e o escrotinho do Barnabé, o cão
O álbum, capa dura, está sendo vendido pela Conrad por R$ 96.









