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Eisner, mais vivo do que nunca
Publicado em 03.03.2008

Alguns nomes falam por si só – e claro que Will Eisner faz parte dessa categoria. Cada relançamento seu pela editora Devir provoca algo entre uma profunda admiração e uma certa saudade daquele que, até pouco tempo atrás, estava em todos os lugares e em várias entrevistas, revendo e analisando os quadrinhos (enquanto arte) nos Estados Unidos e no mundo. Falecido em janeiro de 2005, Eisner chegou a visitar o Recife em 2001 no Festival Internacional de Humor e Quadrinhos e deixou alguns bens guardados autógrafos na cidade. Afinal de contas, tratava-se do maior quadrinista vivo do mundo, a pessoa que desde o começo ousou quebrar os padrões da poderosa indústria dos quadrinhos de super-heróis.

Pois Eisner está de volta agora com um álbum que nos lembra sua energia de criação: A força da vida. Ok, o título é um tantinho brega, mas as histórias fazem parte da série de contos escritos por Eisner em tributo às suas lembranças no subúrbio de Nova Iorque, particularmente no Brooklyn e no Bronx. Nada piegas. As narrativas aqui se cruzam com as demais histórias desenhadas por Eisner em seus álbuns clássicos: Um contrato com Deus, Avenida Dropsie, O sonhador, O edifício. Todos os títulos já foram publicados recentemente no Brasil pela Devir, exceto o último.

De uma maneira geral, são sempre revisões de um período de crise econômica nos Estados Unidos a partir das comunidades de imigrantes (em especial as famílias judias) na periferia de Nova Iorque. O objeto de trabalho de Eisner são sempre as pessoas, suas angústias, desejos, falhas e acertos. Um estudo microscópico de um país que costuma ser sempre analisado em seus aspectos macros.

A força da vida não foge a essa regra. Em 12 capítulos, Eisner vai costurando o cotidiano de pessoas que tentaram sobreviver à Grande Depressão dos anos 30. A do velho Jacob Shtarkah, sua esposa Rifka (o velho modelo da mãe judia como a pessoa que manda em todos na família), do jovem gentio Elton Shaftsbury e de vários outros personagens que, de um jeito ou de outro, arrumam - tal como as baratas - um jeitinho de viver mais um pouco. Se você já leu alguns dos demais títulos acima, vai achar novamente a famosa Avenida Dropsie, além de alguns rostos familiares, afetivamente familiares.

Se estivesse vivo, Eisner completaria 91 anos na próxima quinta-feira. E ainda que não possa apagar as velinhas, sua obra parece estar sempre soprando um vento de renovação nos quadrinhos.

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