Juntos ou separados. Os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon estão de novo entre os finalistas do Eisner Awards. Bá concorre na categoria Best Limited Series com The Umbrella Academy (roteiro de Gerard Way), Moon concorre em Best Digital Comics com Sugarshock! (cujo roteiro é tão-somente de Joss Whedon!) e ambos concorrem em melhor antologia com 5 que, além dos dois, tem ainda Becky Cloonan, Vasilis Lolos e Rafael Grampa.
O Guardian/The Observer publicou neste domingo a lista dos 50 blogs mais poderosos do mundo. Um dos meus prediletos, o BoingBoing, ficou em segundo lugar! Para conferir os vencedores, blog yourself.
Século 20. Anos 20. Little Nemo....um divisor de águas na história das histórias em quadrinhos. A primeira página dominical norte-americana com um senso estético ousado, muito além das molduras....a arte de Winsor McCay é até hoje reconhecida nos EUA como parte da identidade visual do País.
Século 20. Anos 80. Imaginem só Little Nemo nas mãos de Hayao Miyazaki! Sim, ele que hoje é conhecido por ter criado obras primas como Princesa Mononoke, A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, o grande mestre dos mestres do anime. Pois é, a idéia veio ao estúdio de Miyazaki no começo dos anos 80 e chegou-se até a fazer um preview de uma das cenas do longa-metragem do personagem sonhador de McCay pelos traços de Miyazaki.
Século 21. Anos 00. A idéia, por motivos que ninguém sabe ao certo, não vingou. Mas hoje nós temos You Tube para mostrar aquilo que poderia ter sido a animação do século:
A Pixar confirmou hoje que haverá sim uma seqüência de Carros, e que ela deve ser lançada nos cinemas em 2011. Ok, Carros é certamente um dos mais fracos - senão o mais fraco - dos filmes da Pixar, mas imagino que a seqüência seja algo de comum interesse entre a Disney os lobistas da indústria automobilística. Só pode!
Chavez baniu Os Simpsons da Venezuela. Isso porque segundo a comissão de telecomunicações de lá entendeu o desenho como inapropriado para a educação das crianças (Os Simpsons era exibido lá às 11h da manhã). Agora vem a notícia mais curiosa: sabe o que resolveram colocar no lugar como uma alternativa mais "educativa"? Baywatch! Também conhecido no Brasil como SOS Malibu! Ok, sem comentários.
Meu novo cantinho da web: Comic Foundry. É o nome da revista (e, claro, do blog dela) dedicada a quadrinhos. As duas edições que publicaram até agora parecem ter uma proposta bem interessante....um tanto afetada, mas ainda assim acima da média.
Artistas plásticos, designers, publicitários, donos de lojas de toy art e cartunistas que acham que estão acima do bem, do mal e do cigarro, rendam-se às piadas sem graça (e por isso mesmo hilárias) de Allan Sieber, o gaúcho que se vendeu ao sistema por algum bom trocado dos grandes conglomerados de comunicação moralmente falidos. O suficiente para ele ter uma vida confortável (existe algo mais enervante que isso?).
Ok, o livro foi lançado no fim do ano passado, mas como só agora tive acesso a este que é um mais um dos extratos sócio-culturais de nossa vida pseudo-política-plural-pós-moderna, não custa nada sublinhar a relevância de Mais Preto no Branco, da editora Desiderata (agora com uma distribuição mais descentralizada do eixo Rio-São Paulo).
Sieber, que tá na rua desde o começo dos anos 90, tentando convencer a elite intelectual de sua perspicácia auto-depreciativa. E conseguiu.
Sieber tem um humor tão contemporâneo quanto o último lançamento em celular. Sim, ele consegue ser assim tão preciso em seu recorte crítico sobre a frugalidade de tudo e de todos, incluindo aí a dele mesmo. Sieber tem um talento para o humor desse mutante tempo do mundo, uma familiaridade semelhante àquela que Angeli exercita desde os anos 80. Aliás, tivesse ele nascido alguns anos antes, certamente se juntaria aos Los 3 Amigos (que depois viraram 4 com o também gaúcho Adão Iturrusgarai), e essa não deve ser a primeira vez que alguém escreve isso (porque, afinal de contas, Sieber tem um ph lá embaixo, acidez própria da turma do Chiclete com Banana).
Enfim, voltando à Mais Preto no Branco. Nova compilação de tirinhas do “recluso cartunista” que joga no chão e pisa com gosto sobre todos os grandes dogmas da vida moderna, ah, a vida moderna. Não dá para falar muito, e não é porque perde a graça (pois a graça não está nas tiras, e sim nos leitores), é por motivo de força maior (leia-se um scanner que eu gostaria que funcionasse melhor).
Então é isso. Allan Sieber está de volta (faz tempo) e não custa nada (só tempo) dá uma olhada no site do cara.
Humberto Ramos desenha muito. Tanto que seria preciso essa coluna inteira para falar de quão habilidoso esse mexicano de 36 anos consegue ser com um grafite em punho. Ramos é um raro caso de artista que, mesmo dentro do esquemão de quadrinhos de super-heróis (neste caso, a Marvel Comics), consegue fazer valer a idéia de artista autoral. E com um trabalho fora desse mesmo sistema distribuição em massa, aí sim é que ele abusa do direito de, digamos, “se amostrar.”
Se em histórias do Homem Aranha e Wolverine ele surpreendeu, em Revelações, lançamento da Devir editora em mais uma parceria com o selo americano Dark Horse, Ramos impressiona não apenas no trabalho das seis capas (a minissérie foi lançada originalmente em seis capítulos), como em todas as páginas internas dessa história cheia de fumaça de cigarro, chuvas e sangue, elementos que nas mãos do artista em questão, se transformam em figurações perfeitas para aquilo que o roteirista Paul Jenkins quer passar com mais uma cutucada na Igreja Católica (está sempre na moda, particularmente em HQs, provocar os misteriosos negócios do Vaticano).
Ramos e Jenkins são uma dupla mais que dinâmica. Juntos em vários trabalhos, seja na Casa de Idéias da Marvel, seja em séries mais autorais como esta, eles conseguem ir além de sua imaginação. Jenkins tem um roteiro bem redondinho e sabe que seu parceiro pode aproveitar bastante os vácuos de informação típicos de um suspense para criar cenários maravilhosos e bastante sugestivos (aliás, só uma dica: preste bastante atenção na capa que a Devir escolheu para esta edição e você entenderá metade da história).
Revelações, a propósito de sua narrativa, tem como protagonista o detetive londrino Charlie Northern, convocado por um amigo de infância que virou cardeal para solucionar o assassinato de um possível sucessor do Papa. Charlie é cheio daquelas piadinhas rabugentas de detetive londrino do tipo: “Vocês são tão óbvios quanto um canguru num show de cachorros” ou ainda “(vocês são) tão óbvios quanto um talibã num casamento judeu”. Aliás, Jenkins, que é inglês, tem uma certa familiaridade com esse tipo de personagem, levando-se em conta que seu primeiro grande trabalho foi na série Hellblazer, com o infame detetive Constantine.
O álbum está sendo vendido por R$ 42 e é todo colorido.
Os dados não são pouco impressionantes:
O livrinho está há 47 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times, sempre em primeiro lugar (só perdeu o posto para...advinhem: o segundo volume do mesmo título).
A Fox já teria adquirido os direitos para fazer a adaptação no cinema.
O título foi indicado para o prêmio Kid’s Choice Award 2008, da Nickelodeon, e é forte candidato a levar o prêmio.
É com esse currículo nada modesto que será publicado, em maio deste ano, a história em quadrinhos Diário de um Banana, tradução para Diary of a Wimpy Kid. Por aqui, o lançamento será da editora V&R.
A história é a do jovem Greg que, como o título indica, é um garoto sem muitas convincções de sucesso na vida. O legal aqui é que esse roteiro fez primeiro sucesso na web, no FunBrain e depois foi publicado em papel.
Eita povinho complicado! Chega a notícia de que alunos da Universidade de Utah, nos EUA, criaram uma campanha para banir o livro Fun Home da bibliografia de uma da disciplina sobre gêneros literários (na qual Fun Home se enquadra, naturalmente, na categoria quadrinhos). Alguns alunos alegaram que o livro é "pornográfico" e que gostariam de ter o álbum removido do currículo.
Fun Home, publicado no ano passado aqui no Brasil pela Conrad, é, na minha perspectiva possivelmente distorcida e pernóstica, um dos melhores, poéticos e mais sinceros trabalhos já criados. E não falo apenas do "gênero" histórias em quadrinhos. Falo do "gênero" história pra contar. O álbum de Alison Bechdel foi eleito em 2006 como o "livro do ano" pela Times Magazine e, sinceramente, se você encontra algo de pornográfico nesse trabalho, há algo estranhamente fora de lugar em seus preceitos morais.
A artista Sammi Resendes costurou em crochê os bonequinhos acima numa arte conhecida no Japão como Amigurumi (bonecos fofinhos costurados). Portanto, estrelando acima, Admiral Ackbar, Princess Leia, Yoda, Chewbacca e Han Solo. E logo abaixo deles, Gandalf, de Senhor dos Anéis. Aliás, vários personagens dos SdA podem ser vistos em Amigurumi aqui.