Zine desta segunda: Revelações

Humberto Ramos desenha muito. Tanto que seria preciso essa coluna inteira para falar de quão habilidoso esse mexicano de 36 anos consegue ser com um grafite em punho. Ramos é um raro caso de artista que, mesmo dentro do esquemão de quadrinhos de super-heróis (neste caso, a Marvel Comics), consegue fazer valer a idéia de artista autoral. E com um trabalho fora desse mesmo sistema distribuição em massa, aí sim é que ele abusa do direito de, digamos, “se amostrar.”
Se em histórias do Homem Aranha e Wolverine ele surpreendeu, em Revelações, lançamento da Devir editora em mais uma parceria com o selo americano Dark Horse, Ramos impressiona não apenas no trabalho das seis capas (a minissérie foi lançada originalmente em seis capítulos), como em todas as páginas internas dessa história cheia de fumaça de cigarro, chuvas e sangue, elementos que nas mãos do artista em questão, se transformam em figurações perfeitas para aquilo que o roteirista Paul Jenkins quer passar com mais uma cutucada na Igreja Católica (está sempre na moda, particularmente em HQs, provocar os misteriosos negócios do Vaticano).
Ramos e Jenkins são uma dupla mais que dinâmica. Juntos em vários trabalhos, seja na Casa de Idéias da Marvel, seja em séries mais autorais como esta, eles conseguem ir além de sua imaginação. Jenkins tem um roteiro bem redondinho e sabe que seu parceiro pode aproveitar bastante os vácuos de informação típicos de um suspense para criar cenários maravilhosos e bastante sugestivos (aliás, só uma dica: preste bastante atenção na capa que a Devir escolheu para esta edição e você entenderá metade da história).
Revelações, a propósito de sua narrativa, tem como protagonista o detetive londrino Charlie Northern, convocado por um amigo de infância que virou cardeal para solucionar o assassinato de um possível sucessor do Papa. Charlie é cheio daquelas piadinhas rabugentas de detetive londrino do tipo: “Vocês são tão óbvios quanto um canguru num show de cachorros” ou ainda “(vocês são) tão óbvios quanto um talibã num casamento judeu”. Aliás, Jenkins, que é inglês, tem uma certa familiaridade com esse tipo de personagem, levando-se em conta que seu primeiro grande trabalho foi na série Hellblazer, com o infame detetive Constantine.
O álbum está sendo vendido por R$ 42 e é todo colorido.
+ em:
Blog de Ramos (com preview de alguns desenhos do Runaways - adoro essa série...)
Wikipedia de Paul Jenkins









