Rex Mundi - Volume 2 Review

Existem apenas três possibilidades: você pode ser o tipo Sherlock (percebe tudo em intricadas tramas de suspense e desvenda o mistério original antes da metade da história), o tipo Watson (tem particular interesse pelo gênero, mas prefere confiar na sagacidade de um amigo mais atento), ou mesmo o tipo Sem Noção, aquele que, embora tente, mal consegue achar a própria chave, que dirá uma revelação! Caso a opção seja “nenhuma das alternativas acima”, esqueça. A Paris do doutor Julien Saunière não é um lugar para você. Porque para ler Rex Mundi, é preciso um mínimo de curiosidade e espírito investigador. Um pouco de CSI não fará mal nessa hora.
Estamos falando aqui de O rio subterrâneo , o volume 2 da história que começou a ser publicada em novembro do ano passado pela Devir e que tinha uma semelhança indiscutível com os princípios conspiratórios de O código Da Vinci, algo que, como já foi dito antes nesta coluna, nada tinha de coincidência, visto que 1) Rex Mundi foi originalmente lançado antes do hit de Dan Brown e 2) venhamos e convenhamos, briga de poder e crimes relacionados aos segredos nunca revelados da Igreja não criam exatamente gênero novo na literatura.
O Volume 2 de Rex Mundi comprova que essas associações estão longe de se esgotarem. O roteiro de Arvid Nelson é todo redondinho e cheio de pequenas pistas, com especial destaque para as “reproduções” de jornais da época, ou seja, começo dos anos 30, na Europa pré-Segunda Guerra.
Agora já submerso até o pescoço com a investigação sobre a morte do sacerdote Gerard Marin, o médico Saunière, típico herói destemido com altas doses de ingenuidade, descobre algumas palavras-chaves para desvendar o verdadeiro significado da expressão Santo Graal. Em cena, os anagramas, os macabros e supersecretos rituais, o passado ligado à história antes e depois de Cristo, claro, a incessante busca pelo domínio do mundo. Mas tudo pode mudar quando, no finzinho desta edição e antecipando o que virá na próxima, o herói da trama tem seu “insight” derradeiro que, claro, sempre esteve “bem debaixo do meu nariz”.
A coisa poderia ficar óbvia demais não fosse Nelson um cara muito centrado em suas próprias investigações sobre o universo que liga à Igreja ao mundo laico. O desenho de traços finos de Eric J e a colorização metalizada de Jeromy Cox ajudam no conjunto dessa que parece ter sido uma intensa pesquisa bibliográfica.
E uma dica: é bom você não ter perdido aquelas aulas de História Geral.
» Rex Mundi – O rio subterrâneo custa R$ 43,50.
Texto originalmente publicado no Jornal do Commmercio (30.06.2008)












