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história em quadrinhos, mídia tática, street art, cinema
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| agosto 2008 »
Naquela seção Gaiman responde aos fãs (ou não) em seu blog, olha o que saiu hoje (tradução livre minha):
"Espero que isso chegue ao próprio Neil. Nunca conheci alguém tão cheio de si e cheio de merda como você; Agora eis que surge outro marco na sua carreira excessivamente hype: escrever Batman. Não apenas você tem a impressão de que sabe escrever, mas escrever Batman? Fuck you (não preciso traduzir, preciso?) Você tentou antes e foi uma bos*** Era só Gaiman, com Batman no meio. Fuck you (sim, ele é repetitivo)"
No que Gaiman responde:
"Se soubesse que Origens Secretas (Gaiman escreveu a origem de Charada) causou tamanha impressão nas pessoas, eu teria... provavelmente, eu não teria feito nada diferente. Eu me apeguei à história.
Se você acha que não vai gostar dos quadrinhos de Batman que eu vou escrever, provavelmente você vai se sentir melhor não lendo. Será apenas uma minissérie de duas partes, você pode guardar o dinheiro. Porém, se você se importa em me escrever uma carta como essa, provavelmente vai comprar a revista só pra provar pra você mesmo que odeia a história tanto quanto acha que vai odiar..."
 
Why so serious?
Galeria da Wired
Galeria Comic Book Resources (esse celular não tem uma resolução assim tão legal)
Galeria gay do evento (e se você achava que tudo se resumia a Batman e Robin...)
Deu no Smart Mobs hoje: físicos da Universidade de Sydney desenvolveram um chip óptico que pode aumentar em 100 vezes a velocidade de conexão das redes na Austrália, chegando a 640 Gb/s (eu disse 640 GIGAS POR SEGUNDO, nessa velocidade você poderia enviar ou baixar 17 DVDs por segundo!). Aparentemente, esses chips seriam bem baratinhos de se produzir visto que o material base é vidro. Mas...os chips podem ser comercialmente disponíveis daqui a 5 anos... 5 ANOS? Alguém já terá descoberto algo melhor daqui pra lá.
Confirmado para outubro o lançamento do livro Watching the Watchmen, de Dave Gibbons, Chip Kidd e Mike Essel, com os bastidores da criação dos quadrinhos que quebraram o paradigma de roteiro das narrativas gráficas. E claro que os três já comentaram sobre o livro na San Diego Comic Con...Gibbons falou das influências européias na obra, do fim de semana sem dormir ao lado de Alan Moore (medo) e ainda mostrou algumas imagens que ele fez e não foram publicadas, fora os esboços, não só das artes como de roteiros de Moore. Alguma editora brasileira de olho? Hein?
Via Tor

Agora o próprio Henfil reaparece para, com a ajuda de sua amiga, dar uma bicada no seu luiz... A charge é de Miguel, o Humphrey Blogart da web, quase tão fã de Casablanca quanto eu...
Black hole bem que poderia ser uma música que começa assim com um baixo pesado, segue com um verso meio triste meio romântico num grave entre Lou Reed e Nick Cave e termina com um solo de guitarra com cara de que você acabou de pegar a estrada. Talvez sua playlist não armazene tons assim tão circunspectos ou mesmo não se dê ao luxo de cair no clichê de uma trilha sonora rebelde para momentos em que você não se sente ali dentro de você. E se esse for o caso, Black hole, o fim (Conrad Editora, R$ 34,90) não é sua música, não é sua estação de rádio e não é seu livro.
E por que começar a falar de um título pela exclusão? Porque esta é uma história em quadrinhos que inclui apenas os excluídos, cúmplices do fosso de identidade aberto naquela adolescência que se encaixa apenas no grupo dos desencaixados. E Black hole, como indica o título, tenta falar de buracos ainda mais profundos, fendas que aparecem quando o deslocamento social se encontra com a iniciação sexual.
Agora, quando o segundo volume da história chega às livrarias, a sensação é de que a história chega a um ponto em que, depois da queda, vem o alívio de ter sobrevivido. As cicatrizes dos jovens protagonistas, apaixonados e doentes (sensações que costumam se confundir), podem até continuar abertas, mas não dóem mais.
A lembrar, Eliza é apaixonada por Keith, que é apaixonado por Chris, que é apaixonada por Rob, que retribui o amor de Chris. Juntos, esses quatro personagens sofreram as conseqüências de uma desconhecida doença que, no primeiro volume da história, é apresentada em nada suaves anomalias, provocadas após suas primeiras experiências sexuais. Black hole vira então uma metonímia para a Aids, as drogas, o sentimento de estar e ser alheio no meio da excitação que é a adolescência.
Agora, no entanto, os personagens começam a enxergar um cenário além de seus próprios corpos, além das preocupações com o olhar do outro. A cena agora é mais aberta. O desenho e roteiro de Charles Burns, em seu preto grave, suas sombras sisudas e, ao mesmo tempo, pops, dá um sabor extra forte para essa que é, certamente, uma das melhores aproximações da adolescência já feitas em quadrinhos.
Keith, Chris, Rob e Eliza têm algo muito importante a dizer nesse segundo e derradeiro volume da história é preciso abrir os ouvidos para escutar a música por trás do preto-e-branco de Burns. A cura está na trilha sonora. Basta aumentar o volume, pois lembrem-se que tudo termina como um solo de guitarra.
CASAL E ZÉ DO CAIXÃO - SEMELHANÇAS
“Fui o primeiro a ser contactado e recebi a última história do álbum pra fazer, justamente por causa das características do meu trabalho, por causa do meu portifólio. Como acabei fazendo todo o álbum, transformei alguns argumentos e criei outros pra fazer uma história só. Eles (o pessoal da Conrad) me procuraram por causa desse preto-e-branco que tenho, acharam que cabia bem com meu trabalho. Não tive que me adaptar ao personagem, fui escolhido porque tinha características que combinavam com ele. Zé do Caixão passou pelos quadrinhos, mas sempre com um estilo mais clássico de desenho. Quando peguei o personagem, senti que podia fazer algo diferente. Ele é um personagem muito gráfico. Muito mais gráfico que o Batman. A silhueta dele é muito forte.”
TEMPO RECORDE (Casal terminou o Prontuário 666 em dois meses)
“Eu desenho rápido. Foram 15 anos de departamento de arte de jornal. Então eu tenho um pique que é natural na minha forma de desenhar, Na verdade, não conheço forma mais lenta. E é tudo direto no computador.”
PROCESSO DE TRABALHO
“O que acontece num álbum é eu pegar uma folha de ofício e marcar a dimensão dos quadros e fazer um rabisco tosco com palito só pra eu lembrar depois. Isso quando estou com o texto que quero distribuir e com o número de páginas que vou usar. Mas isso tudo é redimensionado depois. Troco quadro, volto página, é tudo direto no computador, sem rascunho nem nada, no mouse.”
CASAL, SOLO
“Sempre quis fazer um álbum só. Mas sempre tive essa birra de 'pô, vou ter que sentar e ver um roteiro de 50 páginas...' porque eu gosto de desenhar sabe? Como é que eu vou começar um álbum que eu não tenho história? No caso do Prontuário, recebi os argumentos... alguns eu gostava, outros não... daí usei uns dois ou três argumentos que pareciam no começo todos independentes e comecei a conseguir linkar um com o outro. Comecei pelo fim do álbum, daí fui pra uma parte no meio e depois andei uma pra frente e depois pro começo do álbum. Foi completamente desordenado, caótico. Mas no final quando eu olho o álbum hoje, fico impressionado porque tem uma ordem de raciocínio que foi muito bem como roteiro. Foi uma coisa instintiva.”
CO-ROTEIRISTA
“Eu tinha que manter minha identidade e manter a identidade do personagem. Foi aí que ela (Adriana Brunstein) entrou. Ela faz parte da produção do filme (Encarnação do demônio, o novo longa com Zé do Caixão) e ajudou na elaboração do roteiro. Quanto à José Mojica, conversamos um dia por telefone, mas o meu contato maior era com o Paulo Sacramento, diretor do filme.”
SOFTWARES
“Freehand e Photophop. As páginas são 95% vetoriais e tem alguma coisinha de textura que é Photoshop.”
DESAFIO PESSOAL
“Quando aceitei o trabalho minha mulher estava grávida de seis meses. Ou eu fazia isso logo ou não tinha mais jeito. Quando terminei, acho que já estava satisfeito, mesmo sem publicar, porque eu consegui. Não me imaginava desenhando tanto tempo o mesmo personagem. Desenhando 100 páginas!”

"porque quem se inspira na história de Deus, acredita nele..."
Sem medo de cair na generalização quanto ao intricado processo da arte, existem basicamente dois tipos de criação: ou você tem uma janela inteira para jogá-la no chão e juntar os pedaços em um todo, ou você começa apenas com os pedaços no chão, sem janela, perspectiva ou todo, apenas uma vaga idéia da soma das partes. A primeira técnica é mais comum entre aqueles que já sabem do começo, meio e fim de seus processos. A segunda só é mesmo usada por quem não tem muito a perder, afinal de contas, é difícil começar sem saber para onde ir. Samuel Casal, fragmentado em idéias que vem e vão muito rápido, é daqueles que preferem começar pelos caquinhos e, mesmo que sem intenção de juntá-los, termina sendo acometido por um talento próprio – ora chamado de “feeling” – para encaixar as peças, em um processo 90% intuitivo, 10% vicioso.
E em função dessa disfunção natural, somente agora, após 18 anos como ilustrador profissional, é que Samuel Casal criou coragem para lançar seu primeiro trabalho sozinho (ou quase, já que ele tem a ajuda no roteiro de Adriana Brunstein). E como ironia chega desavisada, a coragem de Casal aconteceu com um personagem que só existe em função do medo: Zé do Caixão. É ele quem está ilustrado nas páginas de Prontuário 666: os anos de cárcere de Zé do Caixão (Conrad, R$ 24), em um trabalho que, à semelhança do ilustrado, se fragmenta para se juntar e é tão cortante que você não sabe ao certo onde começa Zé do Caixão e onde termina Samuel Casal. O artista foi o primeiro a ser chamado para participar de um projeto que, a princípio, reuniria vários autores, e terminou pegando o pacote completo.
“Fui o primeiro a ser contactado e recebi a última história do álbum pra fazer, justamente por causa das características do meu trabalho. Como acabei fazendo todo o álbum, transformei alguns argumentos e criei outros pra fazer uma história só. Eles (o pessoal da Conrad) me procuraram por causa desse preto-e-branco que tenho, acharam que cabia bem com meu trabalho. Não tive que me adaptar ao personagem, fui escolhido porque tinha características que combinavam com ele. Zé do Caixão já passou pelos quadrinhos, mas sempre com um estilo mais clássico de desenho. Quando peguei o personagem, senti que podia fazer algo diferente porque ele é muito gráfico, mais gráfico que o Batman”, explica o artista.
Dos argumentos que Casal recebeu, alguns foram jogados fora e ele admite que começou tudo sem qualquer linearidade. Levando-se em conta que seu trabalho é praticamente todo feito direto no computador, é realmente de impressionar a habilidade que ele teve em criar um roteiro com começo, meio e fim bastante sólidos, partindo de uma sórdida história sobre tatuagens (o que não vem casualmente, sendo Casal também um tatuador), passando por algumas cenas fortes dentro do cárcere onde Zé do Caixão está “preso” desde 1968 até 2008 (quando ele é libertado em seu novo filme Encarnação do demônio), até a revelação do “verdadeiro” nome do personagem de José Mojica Marins que, de macabro, terminou virando cult (uma sina edwoodiana).
“O máximo que acontece num álbum é eu pegar uma folha de ofício e marcar a dimensão dos quadros e fazer um rabisco tosco, isso quando estou com o texto que quero distribuir e com o número de páginas que vou usar. Mas isso tudo é redimensionado depois. Troco quadro, volto página, é tudo mesmo direto no computador, sem rascunho nem nada, no mouse”, garante o ilustrador, vencedor de oito prêmios HQMix e mestre maior na arte do desenho vetorial, mérito seu e do Freehand, seu software de cabeceira.
Casal confessa que fazer Zé do Caixão em quadrinhos foi um desafio pessoal. Autor de algumas HQs curtinhas, publicadas em revistas multiautorais (incluindo a pernambucana Ragu), ele admite uma “birra” em criar um trabalho só seu. Sob pressão – quando recebeu a missão de escrever este álbum sua mulher estava grávida de seis meses e ele precisava terminar tudo antes de Bruna nascer –, o artista não apenas conseguiu concluir a “encomenda”, como lançou um trabalho que deve chamar a atenção particularmente por um visual, esse sim, verdadeiramente assustador. No bom sentido do mau.
Texto publicado originalmente no Jornal do Commercio (27.07.2008)
A Conrad disponibilizou aqui as primeiras páginas do livro
Depois de uma matéria enorme no Walt Street Journal (trechos abaixo), os irmãos Moon e Bá, mais o Grampá (que ganhou esta semana o HQMix), levaram o Eisner ontem na categoria melhor antologia com a revista independente 5. Os depoimentos dos rapazes vocês podem ver no G1 com a cobertura de Diego Assis que está por lá. Agora, trechos da matéria do WSJ:
Nos últimos 12 anos, Fábio Moon e seu irmão gêmeo Gabriel Bá gastaram milhares de dólares para viajar de sua cidade natal, São Paulo, até a San Diego Comic Con, o maior evento de quadrinhos dos Estados Unidos. Eles esperavam que seus desenhos chamasse a atenção de um editor grandão e passavam horas esperando por um autógrafo de ídolos como Frank Miller e Jeff Smith.
Porém, nesta edição do Comic Con, que começou quinta passada, os senhores Bá and Moon, ambos com 32 anos, são aqueles sob os holofotes. Ambos irmãos têm trabalhos indicados ao Eisner Awards, o equivalente do Oscar nos quadrinhos....
Parte do apelo dos gêmeos é a habilidade de ambos em criar bem sincronizadas colaborações. Muito de seus trabalhos compartilha do mesmo sentimento luxuoso e diáologos curtos. A casa de infância no boêmio bairro da Vila Madalena transformou-se em estúdio e eles trabalham alguns centímetros distantes. "Nós somos a consciência um do outro porque pensamos muito parecido em termos do que é importante para uma história", diz Moon.
Todas as notícias sobre os vencedores do HQMix, que acontece esta noite em São Paulo, serão postadas em tempo real pelo Blog dos Quadrinhos .

Ai.
Em Cartagena, Espanha.
Via Wooster Collective
Agora no Japão você tem uma empresa especializada em turismo otaku no estilo "ligue já" e ganhe um passeio pelo Tokyo Anime Center, conheça os bastidores de um estúdio de anime e, claro, passeie com seu guia-personagem (vestido de algum cosplay) por andares e andares de mangás e os bons e novos eletro-eletrônicos made in Japan. Tudo pela Akibanana Tours.
Via BoingBoing Via Tokyo Mango

Mas é difícil...
Aqui vai o texto de quem não é fã de Arquivo X:
Tá quente. Tá frio. Talvez esteja esquentando... Não, não é por aí. Xiii, esfriou de vez.
E agora o texto de quem sempre amou a série:
Scully! Mulder! Na cama?! Juntos. Separados. Skinner?! Ahn? Como assim? Mas...
Algumas horas depois de sair da sala de cinema, onde por alguns minutos revi meus grandes heróis (e modelos para tudo que eu projetava na minha promissora carreira de investigadora federal), ainda é difícil acreditar. E isso não pode ser um bom sinal para um filme que se dedica a debater quase que exclusivamente o tema “crença”.
Arquivo X: Eu quero acreditar segue a ordem lógica daquele amargo final da série, quando você descobre que Mulder e Scully tiveram um filho, que o menino morre, e ambos se tornam “fugidos” do FBI. O filme começa até bem legal, com as imagens cortadas de duas seqüências que dialogam com o mesmo objeto (o desaparecimento de uma mulher) até a descoberta de um braço no gelo. Logo após vemos uma reunião de médicos dentro de um ambiente cristão. Todas as pistas foram dadas para a primeira cena de “Scully, Dana Scully” como a própria faz questão de introduzir. Scully é procurada por um tal de agente (olha a rima) Drummy, figurinha mais café com leite impossível, que vai em busca de Mulder, Fox Mulder.
Scully se finge de doida e diz que de nada sabe. Daí ela vai pra casa, joga as chaves na mesa e sem cerimônias abre a porta do quartinho onde seu...hummm...marido? se encontra. Sim, para os desavisados que não tiveram o desprazer de assistir à última temporada, é preciso frisar que Mulder e Scully agora moram juntos e dividem não apenas a conta de energia, mas também a mesma cama. Ela está mais velha, mais bonita e com um cabelo que, pelo comprimento, é mais evangélico que católico. Ele está do mesmo jeito (a exceção de uma barba que não dura 10 minutos), provando que David Duchovny vai bem, obrigado, e não incomode.
Daí em diante o filme toma rumos mais difíceis de engolir que as notícias de alguns semanários brasileiros. E olha que dessa vez não tem nave espacial, seres estranhos ou conspirações governamentais (alguns dos maiores pilares na mitologia da série). O que há de mais paranormal na história não é nem o ex-padre convicto de sua pedofilia, de sua fé e de um suposto “feeling” para identificar fatos relacionados ao desaparecimento da mulher do começo do filme. Mas sim o fato de voltarmos a ver vilões russos.
Então Mulder e Scully começam aquele velho embate entre o homem cuja religião é o próprio instinto e a mulher que, embora tenha de fato uma religião, acredita apenas na ciência. O fato é que esse duelo teológico ganha praticamente a projeção inteira, sobrando pouco espaço para o desfecho de um crime que, às vezes, você até esquece que aconteceu.
Aliás, para não fazer injustiça, o filme tem sim algumas das costumeiras e sutis ironias tão populares na série. Umas servem a público indistinto: a comparação entre George W. Bush e o famoso e controverso ex-diretor do FBI, Edgar Hoover, é de tirar o chapéu. Outras são para os “iniciados”: algumas DRs entre Mulder e Scully nos lembram os bons tempos dos chamados “mulderisms” e “scullyisms” - e tem ainda a "aparição" de Skinner, o father figure, e a última cena depois dos créditos: não saia da sala até tudo se apagar, porque a derradeira piada de Chris Carter é boa.
Tudo isso se passa no inóspito cenário da neve, o que pode ser um problema para um filme cujos heróis são um marco dos anos 90. Mais de uma década se passou e lá está a tela branca de gelo te iluminando e deixando muito claro que você, expectador, ainda é levado a acreditar que seus bonecos não envelhecem.
Em tributo à "limpeza social" (como citou a Carta Capital desta semana) que fizeram no painel dos Gêmeos lá na 23 de Maio, em São Paulo, inauguro aqui o cantinho Street Art no blog. Sempre que possível, uma imagem pro seu wallpaper. A começar com a turma do alto-contraste.

Taí a programação completa da convenção pernambucana no gênero anime-heróis-cosplay-e-assuntos-afins:
Próximo sábado:
09:00 - Abertura dos Portões / Início das Exibições / Atividades Simultâneas: Karaokê-Room, RGP, Card Games, Workshop, Campeonatos de Games e Larp
15:00 - Atrações Culturais / Apresentação de Artes Marciais / Dança / Taiko
16:00 - Apresentação dos dubladores (Leonardo Camilo, o Ikki de Fênix, Ryoma em Shurato, Tony Stark em Homem de Ferro e os Supremos 1 e 2, Frank Archer em Fullmetal Alchemist, e Orlando Vigiane, o Marty Mcfly da trilogia De volta para o futuro, Dr. Nick Tattopoulos no filme Godzilla, entre outros.
17:30 - Concurso de Cosplay / Desfile Harakuju - Cosplay House (Teatro da UFPE)
17:30 - Festival de J-Music / Bandas / DJ (Concha Acústica)
20:00 - Encerramento do Primeiro Dia.
Domingo
09:00 - Abertura dos Portões / Início das Exibições / Atividades Simultâneas: Karaokê-Room, RGP, Card Games, Workshop, Campeonatos de Games e Larp
14:00 - Concurso de Music Videos
15:00 - Atrações Culturais / Apresentação de Artes Marciais / Dança / Taiko
15:30 - Apresentação dos dubladores (os acima citados)
17:00 - Concurso de Cosplay / Desfile Harakuju - Cosplay House (Teatro da UFPE)
17:00 - Festival de J-Music / Bandas / DJ (Concha Acústica)
20:00 - Resultado dos Concursos / Entrega de Prêmios / Agradecimentos / Encerramento do Evento. (Concha Acústica).
Isso tudo no Centro de Convenções da UFPE, com ingressos ao preço de R$ 10 por dia de evento.
A turminha gadgets descontrol não conseguiu se conter e foi atrás da Nokia para saber se aquele celular usado por Morgan Freeman, ou melhor, Lucius Fox em Batman - O Cavaleiro das Trevas era "for real". A Nokia teve que soltar o seguinte release na imprensa:
No blockbuster desse verão, O Cavaleiro das Trevas, um aparelho da Nokia é mostrado em cena. Trabalhamos próximos aos produtores do filme para desenvolver um aparelho apropriado para combinar com um personagem tecnologicamente ligado como Batman. Esse aparelho não é um produto comercial - até agora.
Frisando o "até agora". iPhone who?
Via Gizmodo
Começa nesta terça, no Recife, uma semana de debates sobre super-heróis e cinema. A produção é do pessoal do site CineFlash, e a minha pessoa participa do evento no próximo sábado.
Confira a programação:
Local: Livraria Saraiva do Shopping Recife
Data: 22 a 26 de Julho de 2008
Das 10h às 21h
22 de Julho - Homem-Aranha e Hellboy
10:00 às 14:00 - Clube de Quadrinhos, Maquiagem do Boticário e Área de Fotografia e Games
14:00 - Exibição do Filme Homem Aranha 3
16:20 - Exibição do Filme Hellboy
18:00 - Bate Papo com Ronilson Araújo, Osvaldo Neto, Leonardo Santos, Rafael Nogueira e Leonardo Galiza
23 de Julho - Super-Homem e Quarteto Fantástico
10:00 às 14:00 - Clube de Quadrinhos, Maquiagem do Boticário e Área de Fotografia e Games
14:00 - Exibição do Filme Quarteto Fantástico 2
15:30 - Exibição do Filme Superman
18:00 - Bate Papo com Leonardo Santos, Reginaldo Brabosa, Leonardo Galiza, Rafael Nogueira e Kelmer Luciano
24 de Julho - X-Men e Justiceiro
10:00 às 14:00 - Clube de Quadrinhos, Maquiagem do Boticário e Área de Fotografia e Games
14:00 - Exibição do Filme Justiceiro
16:00 - Exibição do Filme X-Men 3
18:00 - Bate Papo com Leonardo Santos, Leonardo Galiza, Reginaldo Barbosa, Rafael Nogueira e Alexsandro Vasconcelos
25 de Julho - Batman
10:00 às 14:00 - Clube de Quadrinhos, Maquiagem do Boticário e Área de Fotografia e Games
14:00 - Exibição do Filme Batman Begins
16:20 - Exibição do Filme Ghotam knight
18:00 - Bate Papo com Diogo Carvalho, Ronilson Araujo, Leo Galiza, Leo Santos, Rafael Nogueira, e Kelmer Luciano
26 de Julho - Hulk e Homem de Ferro
10:00 às 14:00 - Clube de Quadrinhos, Maquiagem do Boticário e Área de Fotografia e Games
14:00 - Exibição do Filme Hulk
16:20 - Exibição da Animação Homem de Ferro
18:00 - Bate Papo com Carol Almeida, Ronilson Araujo, Kelmer Luciano, Leonardo Santos e Rafael Nogueira
Mais uma segunda-feira, mais uma charge com a Graúna, dessa vez pelo traço otimista de Humberto.

ZUPER - De quando você lançou a história até os dias de hoje não há grandes mudanças de ambiente na Turma da Mônica e os personagens permanecem intactos. O que é que está no cerne da Turma da Mônica que cruza o tempo? Que valores são esses?
MAURÍCIO DE SOUSA - O que prevalece é o sentido de família, não família como a gente entende num grupo de parentesco, mas família como um agrupamento humano, que compartilha os mesmos valores, valores positivos.
ZUPER - E de onde surgiu a idéia de colocar a Turma da Mônica em mangá?
MAURÍCIO DE SOUSA - Faz tempo que eu queria fazer isso porque os mangás são um sucesso universal e eles usam valores que atravessam fronteiras.
ZUPER - Assim como a idéia de família da Turma da Mônica...há semelhanças do seu trabalho com o se chama da "humanidade" dos mangás em relação aos comics americanos?
MAURÍCIO DE SOUSA - Exatamente.Os personagens do mangá são sensíveis e vulneráveis. Fui na China recentemente (Maurício fez uma parceria com o ministério da educação do país para divulgar, via web, quadrinhos da Mônica contando a história do Brasil para tão-somente 180 milhões de crianças) e eles se identificaram com os personagens porque trabalho com valores universais.
Depois da conversa no tipo pergunta-e-resposta, Maurício confessa que quando se encontrou com Osamu Tezuka, na década de 80, o mestre maior dos quadrinhos japoneses disse o seguinte ao nosso mass media marketing genius brasileiro: "não precisa mudar nada nos seus personagens se eles saírem aqui no Japão. Até os olhos são grandes..."
Assim que meus equipamentos estiverem em mãos (leia-se scanner), publico alguma coisa da preview da Turma da Mônica em mangá aqui. Ah, e a turminha agora tem 15 anos de idade.
Em tempo: depois de ter entrado para a Panini, as revistas de Maurício subiram 30% em vendas. Call him a diva.
Thanks Sidão e Jal!
Zuper aqui em São Paulo circulando pelo Anime Friends onde, daqui a pouco, Maurício de Sousa lança o preview da Turma da Mônica Jovem, sim, porque, advinhem só o que Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão vão ser quando crescer? Mangá, claro. Bem, se Madonna se adapta ao meio há 30 anos, por que Mauricio de Sousa não poderia?
É horrível ter que lembrar de Alanis numa hora dessa (ou em qualquer hora), mas isn't it ironic? O Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco (FIHQ), que acaba de levar o HQ Mix como melhor salão, corre "sério risco", segundo um de seus curadores, de não acontecer este ano. O depoimento foi de João Lin. Isso porque o projeto do festival está ainda na banca do Funcultura para aprovação de seu orçamento (não passaram o número, mas se sabe que o teto este ano foi menor que o do ano passado). A realização do projeto, segundo as normas do Funcultura, só poderia acontecer depois de 30 de novembro. Portanto, ou ele será realizado em dezembro ou só mesmo em 2009. E pelo andar da carruagem...
Acabei de falar com Spacca, o vencedor do HQ Mix este ano na categoria Desenhista, e eis o que ele me diz: no papel, com previsão de sair em 2009, 80 páginas com a adaptação em quadrinhos de Jubiabá, de Jorge Amado. Tudo colorido, como manda a edição da Companhia das Letras.
Os melhores do ano passado segundo o HQMix:
Os melhores de 2007
1- Adaptação para outro veículo – 300 de Esparta- O Filme
2- Álbum de Aventura – 300 de Esparta
3- Animação – Turma da Mônica – Uma Aventura no Tempo
4- Articulista de Quadrinhos – Paulo Ramos
5- Blog/Flog de Artista Gráfico – Rafael Grampá
6- Blog sobre Quadrinhos – Blog dos Quadrinhos
7- Caricaturista – Baptistão
8- Cartunista – Allan Sieber
9- Chargista – Angelí
10- Desenhista Estrangeiro – John Cassaday
11- Desenhista Nacional – Spacca
12- Desenhista Revelação – Jozz
13- Edição Especial Estrangeira - Persépolis Completo
14- Edição Especial Nacional – Laertevisão
15- Editora do Ano – Pixel
16- Evento – 5° FIQ – Fest.Internacional de Quadrinhos
17- Exposição – Ziraldo, o eterno Menino Maluquinho
18- Ilustrador – Kako
19- Ilustrador de livro infantil – Daniel Bueno
20- Livro Teórico – Desenhando Quadrinhos de Scott McCloud
21- Minissérie – Fábulas – Mil e uma noites
22- Projeto Editorial – Laertevisão
23- Projeto Gráfico – Laertevisão
24- Publicação de Cartuns – Assim Rasteja a Humanidade
25- Publicação de Charges – Urubu de Henfil
26- Publicação de Clássico – Um Contrato Com Deus
27- Publicação de Humor – Piratas do Tietê. A Saga Completa
28- Publicação de Terror – Black Hole
29- Publicação de Tiras – O Mundo é Mágico – Calvin e Haroldo
30- Publicação Erótica – Lost Girls
31- Publicação Independente de Autor – Menino Caranguejo 1
32- Publicação Independente de Bolso – Juke Box 4
33- Publicação Independente de Grupo – Quadrinhópole 4
34- Publicação Independente Especial – O Relógio Insano
35- Publicação Infantil – As Tiras Clássicas da Turma da Mônica
36- Publicação Mix – Pixel Magasine
37- Publicação sobre Quadrinhos – Mundo dos Super-Heróis
38- Revista de Aventura – Lobo Solitário
39- Roteirista Estrangeiro – Alan Moore
40- Roteirista Nacional – Wander Antunes
41- Roteirista Revelação – Cadu Simões
42- Salão e Festival – IX Fest.de Humor e Quadrinhos de Pernambuco
43- Site de Autor – José Aguiar
44- Site sobre Quadrinhos – Universo HQ
45- Tira Nacional – Níquel Náusea
46- Web Quadrinhos – Malvados
47- Publicação de Caricatura – É Mentira, Chico!
48- Trabalho de Graduação – Gil Tokio
49- Tese de Doutorado – Jorge Arbach
50- Tese de Mestrado – Daniel Bueno
51- Grande Mestre – Ypê Nakashima
52- Grande Mestre – Fernando Ikoma
53- Grande Mestre – Minami Keizi
54- Grande Mestre – Paulo Fukue
55- Grande Mestre – Roberto Fukue
56- Cláudio Seto
57- Homenagem – Ivan Reis
58- Grande Contribuição – Borba Gata-Luiz Gê
59- Grande Contribuição – 4° Mundo
60- Grande Contribuição – Guia do Ilustrador
Ufa! Bem, parabéns ao pessoal do Festival de Quadrinhos daqui de Pernambuco que levou o prêmio este ano!
Se a palavra Poodle não diz nada pra você além da raça daquele cachorrinho crespo, então you're soooo 5 minutes ago. Poodle é a nova brincadeira que mistura corrente de e-mail com manipulação de imagem. A idéia original era mandar para um amigo a imagem de um poodle (o cachorro) com uma bola vermelha. O amigo te responde o e-mail com a imagem do poodle com alguma interferência gráfica. Você pega esse arquivo e mexe de novo e assim por diante.
Pois bem, começaram esta semana a fazer poodle com, claro, o controverso cartum de capa da New Yorker. Abaixo, alguns dos resultados até agora.
 
 
Via Boing BoingVia Ethan Persoff
Harvey Dent, por Aaron Eckhart: o Duas Caras que Dalton Vigh nunca conseguiria ser. Tagline: Cara ou coroa?
James Gordon, por Gary Oldman: coloque um bigode em um ator acostumado a interpretar bizarros vilões e o transforme em um pai de família. Só dá certo se for Gary Oldman. Tagline: Ah como eu queria essa capa...
Rachel Dawes, por Maggie Gyllenhaal: alguém aí sentiu falta de Katie Holmes? A família Gyllenhaal nunca decepciona. Tagline: Sou feia e moro longe.
Alfred, por Michael Caine: Ele é tão inglês que não dá pra suspeitar de mais nada, além do fato de ele ser (estranhamente) inglês. Tagline: O chá está servido.
Coringa, por Heath Ledger: Medo, muito medo. Tagline: Por que tão triste?
Bruce Wayne, por Christan Bale: o garoto propaganda perfeito para o perfume mais caro. O que é um elogio. Tagline: Papa don't preach.. I'm in trouble deep.
Batman, por Christian Bale: aquele sintetizador de voz meio Darth Vader é estranho, e o biquinho um pouco demais, mas ainda assim é o melhor que temos no mercado. Tagline: Só um tapinha não dói.

Existem super-heróis coloridos, extra-terrestres, geneticamente modificados, emocionalmente carentes, politicamente corretos e a lista pode ser mais extensa que o número de itens que falta em sua geladeira. Mas só existe um super-herói que sustenta e é sustentado por culpa. Um super-herói sério, teso e inflexível. O inconformado vingador, Batman. Do seu nascimento nos quadrinhos há quase 70 anos até a data de hoje, esse personagem foi criado e recriado a gosto dos mais diferentes tipos de propósitos, chegando em vários momentos a ser projetado em cena como uma epítome do pop (em seu sentido descartável, vide a famosa série de TV) e do pirotécnico (em seu sentido pop, vide Tim Burton).
Alguns – poucos – conseguiram de fato construir Batmans que fizessem jus à gênese de sua natureza, ou seja, a culpa. Frank Miller, nos anos 80, fez isso com a minissérie Batman, o Cavaleiro das Trevas. Mais de 20 anos depois, Christopher Nolan, um diretor de cinema dado a ambientes asfixiantes (Insônia) e angustiantes (Amnésia), recolheu o extrato daquilo que Frank Miller fez nos quadrinhos e colocou isso em 2 horas e 32 minutos de um filme que pode até travar seu joelho ao fim de uma sessão tão longa, mas certamente não te deixará dúvidas sobre o compromisso de Nolan em deixar Batman do jeitinho que ele é: (e como isso é um blog, lá vai) f.u.d.i.d.o.
Agora, na mesma proporção dos super-heróis, existem vilões coloridos, extra-terrestres, geneticamente modificados, emocionalmente carentes e politicamente imorais. Mas só existe um vilão cuja única constante é a esquizofrenia. E não estamos falando do Coringa. Estamos falando do Coringa de Heath Ledger, de maquiagem borrada, como se nada ali fosse, de fato, nítido.
E como todas as narrativas terminam sempre sendo sugadas pelo buraco negro do amor, aqui vai uma pouco usual: Batman e o Coringa se amam. Não no sentido romântico do afeto que cada um merece, mas no instinto de sobrevivência do oposto que cada um precisa, instinto esse que se estende à conservação de Gotham City: o herói que a cidade merece não é o herói que ela precisa.
Juntos, o Batman de Christopher Nolan (interpretado com muita responsabilidade por Christian Bale) e o Coringa de Heath Ledger cometem o pecado original: a auto-destruição, seja ela em nome da culpa ou da esquizofrenia.
Antes de mais nada, aviso aos puristas, Batman – O Cavaleiro das Trevas que chega esta sexta aos cinemas, tem muito pouco da seqüência de enredos da história de Frank Miller. Como já foi dito, o que Nolan fez foi pegar o extrato da penumbra. Tendo tudo isso posto, o filme é uma experiência moral que joga a todo momento com os limites da índole de seus personagens e com os desafios da preservação coletiva (ponto alto para a inesquecível cena das balsas). Shakespeare já fez isso no teatro, e Camus na literatura existencialista. Agora é vez de Nolan, em versão blockbuster.
Claro, toda a questão moral vem subsidiada por uma computação gráfica que te permite incríveis cenas de ação, uma tecnologia surround que corta seus ouvidos e um roteiro cheio de frases de efeito pra colecionador nenhum botar defeito: (“Aquilo que não te mata, te faz estranho”, “Ou você morre herói, ou vive o suficiente para se ver tornar um vilão” e tantas outras). Ah, e não podia faltar também um F5 econômico na história, com as novas piadinhas americanas em relação aos produtos chineses. O pacote é completo. Pode correr pro cinema. Sem culpa.
Na foto acima: Nolan dirige Ledger. Crédito: Warner Bros.
Muito em breve, aqui neste mesmo bat endereço, a review de Cavaleiro das Trevas, um filme que vai te deixar com dentes trincados. E, como vocês sabem, “madness is just like gravity, all you need is a little push”.
No primeiro semestre deste ano, tive a incrível experiência de dar aula sobre editoração e história dos cartuns e dos quadrinhos para uma turma de jornalismo da Faculdade Barros Melo (mais conhecida como Aeso). E uma das atividades que passei para os alunos (e o mérito aqui é deles também) foi a de fazer entrevistas com cartunistas locais (leia-se pernambucanos) sobre a importância de Henfil para as artes gráficas no Brasil. Além das entrevistas, eles tinham que pedir aos artistas que criassem charges atualizando a personagem mais carismática de Henfil nos dias atuais. Estamos falando, claro, da Graúna.
O resultado foram quatro trabalhos que derreteram meu gelado coração de professora (how cruel i am). Portanto, a partir de hoje e nas próximas segundas-feiras, publicarei aqui os cartuns de Samuca, Miguel, Humberto e Ral, quatro artistas de primeira linha em time de primeira divisão.
O primeiro é o de Samuca, em uma releitura muito linda e, claro, triste, de como as coisas não mudaram tanto de Henfil pra cá. Enjoy.

Existem poucas unanimidades como Machado de Assis. Porque não se trata apenas de um autor cuja obra tem a consistência de uma época sem com isso estar presa a ela, mas porque quando se fala em Machado, lidamos com um escritor que, quando se pensa sério, é irônico, quando se imagina romance, é crônica, quando se espera final feliz, é tragédia. Machado sempre gostou de guiar seus leitores por caminhos traiçoeiros e não há nada mais excitante que pegar uma estrada sem saber onde ela vai dar. E não existe combinação melhor adequada a essa narrativa do que as histórias em quadrinhos. As palavras te levam a lugares para onde as imagens podem ir, ou não.
E claro que em ano de centenário de morte de Machado de Assis não faltariam títulos em quadrinhos para celebrar a data. O mais recente se chama A cartomante (editora Jorge Zahar), álbum fininho de Flávio Pessoa e Mauricio O. Dias adaptado do conto homônimo do Bruxo do Cosme Velho.
O livro tem uma arte legal, toda feita em aquarela e muitas vezes fundidas a fotografias da época, usadas geralmente como cenário para os personagens de Camilo, Rita e Vilela, o triângulo amoroso (combinação sempre muito apreciada pelo atento olhar carioca de Machado) que puxa a história. A trama, você já imagina, envolve uma mulher dividida entre as convenções sociais (o marido Vilela) e os instintos carnais (o amante Camilo). No meio disso tudo, uma cartomante (que parece ser o próprio Machado) hábil em indicar o futuro a quem dele quer fugir.
O álbum, é preciso reconhecer, poderia explorar mais essas pistas falsas machadianas, mas termina preso em uma adaptação fiel ao texto do conto. O fato é que, como o enredo explica, fidelidade nem sempre é uma solução benéfica. Em tempo, o preço da publicação também não é justo: R$ 39 por 33 páginas que não valem tudo isso.
E para aqueles interessados na obra do escritor mais homenageado em 2008, vale a pena também dar uma olhada nas duas últimas adaptações de O alienista para os quadrinhos. A do pernambucano Lailson de Holanda, que combina muito bem o texto original de Machado com o traço tradicionalmente redondo de Lailson, e a versão dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, dupla que usa e abusa do texto machadiano (mais economizado aqui) para criar painéis plásticos com um pouco mais de liberdade poética que as costumeiras adaptações.
(Texto publicado originalmente em 14.07.2008, no Jornal do Commercio)
Entrevista com o autor do livro e imagem da capa (que sinistramente não consegui postar aqui) no site da Jorge Zahar.
O projeto The Next-Door Neighbor acaba de publicar umas páginas inéditas de Harvey Pekar desenhada por Rick Veitch. A série já trouxe várias histórias de artistas como Ames, Nick Bertozzi, Ed Piskor e Kevin Colden. Mas nada, claro, tem aquele humor ácido e amargurado que tanto amamos em Pekar.

A revista ainda não foi publicada, mas já se tornou o cartum controverso da semana. A capa da edição do dia 21 de julho da New Yorker não poderia ser mais enfática nas nada subliminares associações (que há muito circulam na mídia) entre o senador e candidato a presidente dos EUA, Barack Obama, e organizações como a Al Qaeda. Embora Obama ainda não tenha se pronunciado em relação ao cartum, o porta-voz de sua campanha, Bill Burton, deu o seguinte depoimento:
"O New Yorker pode pensar, como um de seus funcionários nos explicou, que sua capa é uma afiada sátira das críticas à bandeira defendida pelo senador Obama. Mas a maior parte dos leitores entenderá isso como algo de mau gosto e ofensivo. E concordamos."
Via Embed Produces Via New Yorker
Está no ar o Fantasia Kaliopes, revista que vai reunir contos, notícias e tudo que vier (bem, nem tudo) quando o assunto é fantasia. Como o editor mesmo explica (um rapaz muito simpático chamado Jacques Barcia), a proposta é tazer "contos de autores nacionais e internacionais, resenhas e artigos no gênero". Tudo original, claro.
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